terça-feira, 4 de outubro de 2011

Eco, Eco... eco... ec... e...

Ainda existe o verde no recorte de mundo que a minha janela oferece. E, a meu ver, é assim mesmo que deveria ser para todas as pessoas, mesmo que elas não se deem conta do quanto isso é importante. É por isso que, há mais ou menos um ano, munido de esperanças, valores e ar nos pulmões, passei a reforçar o vigoroso "berro" de uma galera que, assim como eu, ama o verde das suas e de todas as janelas do planeta.

Há uma série de fatores que justificam a fundação do grupo Ecoberrantes: a necessidade urgente de defender o patrimônio natural brasileiro, ameaçado por sucessivas investidas visando a alteração do Código Florestal Brasileiro (documento legal e de caráter normativo - que orienta e limita a utilização de recursos naturais, a ocupação humana de áreas urbanas e rurais e estabelece punições para o descumprimento de seus artigos) por parte dos ruralistas para atender a designios de grandes latifundiarios ávidos por maximizar seus lucros, não importando a que custo; a indignação com o descaso com que essa questão tem sido tratada pelos parlamentares que, teoricamente, deveiam refletir em seus atos a vontade de nosso povo; o desejo de mostrar que a juventude ainda tem a força transformadora tão característica de outros tempos da história política de nosso país...

Seja qual for o motivo que inflame corações e mentes de cada um que empunha nossa bandeira, fato é que cada vez mais a razão da luta se entrelaça com a razão da vida, e já se torna dificil olhar o reflexo no espelho e não pensar: "esse aí que está diante de mim é um Ecoberrante".

É esse espírito de compromisso que nos leva as ruas... Que nos põe em contato com o mundo e com as pessoas, para oferecê-las uma visão alternativa àquela que recebem da mídia e dos governantes, que distorcem a realidade de modo a criar uma lógica torpe e falsamente social e coletiva, com o objetivo de nublar o entendimento do indivíduo comum.

O vídeo abaixo é apenas uma das mobilizações que o Ecoberrantes, juntamente com o S.O.S Florestas Paraná, tem promovido em Curitiba, e, se você entende como legítimo esforços como os que vai assistir, acesse http://www.ecoberrantes.weebly.com/, e busque fazer sua parte

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Epifanias de banheiro

Epifania: Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo

Lembrei-me hoje de conversa tida com a colega de revisão mais linda com quem já trabalhei - ainda que desconsiderasse o fato de ela ser um "bendito fruto entre os homens", o adjetivo caberia perfeitamente -, em que falavamos sobre compreenções súbitas da verdade, ou seja, de epifanias. Embora mais comumente usada em contexto religioso, a minha intenção ao vincular esta palavra ao ambiente destinado à eliminação de "impurezas corporais" não deve ser vista, de maneira alguma, como um desrespeito às autoridades superiores que governam o universo. É simplesmente uma alusão ao local onde costumam ocorrer as minhas epifanias...

Para ilustrar essa realidade, divido com os leitores deste blog (parcos porém de extremo valor) pequeno "causo" de tempos universitários. Estavamos reunidos, meu colega de projeto e eu, ruminando há horas em busca do conceito ideal para a campanha publicitária da "Arte Sonora", empresa fictícia, atuante no ramo de lutheria (fabricação artesanal de instrumentos musicais de corda), que nos servia de objeto de estudo para o TCC. Pausa para o banheiro e, enquanto a natureza fazia seu trabalho, a iluminação súbita do intelécto característica de uma manifestação epifânica refletiu-se em todos os azulejos que compõem o messiânico local. Nascia então o conceito "Seu som, sua marca".

E esse é apenas um dos momentos similares cujas recordações moram em meu banheiro...

Desfazendo então esse "flashback" pseudo-hollywoodiano, transporto o leitor para o dia de ontem, quando inspirado pela conversa de revisor (e pelos muitos risos que a acompanharam), pensava eu, no banheiro, óbvio, sobre a existência ou não do "nada". Confesso que esse conceito sempre me intrigou, nunca busquei fontes filosóficas, científicas ou de qualquer outra natureza que pudessem conduzir meu raciocínio sobre essa questão, justamente porque tento chegar a uma resposta que me satisfaça por meus próprios méritos. E, sendo assim, mergulhei novamente em meus compêndios interiores para farejar pistas.

A grande questão é que o nada é imaterial, é uma abstração do ser humano (abstração matemática aliás, atrelada à concepção do algarismo zero, não me recordo agora sob autoria de quem). O nada não faz parte do nosso cotidiano, pois a linguistica se encarrega de, para cada coisa, dar um nome, mesmo que essa coisa seja apenas uma ideia (assim como ocorre com o próprio nada inclusive). Alguém pode argumentar: "mas o nada pode ser representado por uma equação..., então, ele existe!" E eu sou impelido a redarguir: mas toda equação é, em si, também uma abstração... então, de fato, ela não existe. Se Platão fosse convidado a opinar, puxaria minhas orelhas dizendo: "Quantas vezes já lhe falei? Se existe no pensamento... Existe".

Eu caio então em um empasse: Se o próprio nada é um conceito, tem sua definição, seu argumento... o nada "puro" não existe. Esse é o momento em que, lá do fundo da platéia, um cientista ergue o braço e esbraveja: o vácuo é o nada! Não, meu querido, o vácuo é o vácuo... A partir do momento em que você assumiu a sua condição de existência, lhe deu um nome, uma significação, já não pode mais ser designado como nada. "Mas o vácuo é a ausência total de matéria! - grita indignado o cientista. Então como você sabe que ele é o que é, senhor cientista? Eu mesmo posso lhe dizer, devido a um desdobramento da lógica que diz: quando não existe matéria, existe vácuo. Na sua própria premissa encontra-se incrustrada a contradição, percebe?

O leitor deve estar pensando: até agora tudo o que esse maldito beletrista e filósofo de porta de banheiro me trouxe foram dúvidas... e a epifania? Onde está?

Calma, ávido companheiro, deixe-me dar mais um passo adiante. Alias, não o darei. Resolvi agora, de maldade mesmo, transformar este post em uma pequena série dividida em duas partes, e a epifania ficará para o próximo escrito...

FATALITY NA SUA ESPECTATIVA!!!!




 Flawless Victory...          
     

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sintonia

Ela: "Vou-me embora pra Pasárgada"
Eu: "Lá sou amigo do Rei"
Ela e eu: "Lá tenho a mulher que eu quero
                 Na cama que escolherei"

Ah Manoel... momentos se constroem com poesia!

domingo, 4 de setembro de 2011

Only the real things...



I remember the first time I stopped on the way to thinking about that was right or not... Before a very long time, the true came to me and I finally understand... the real things are the only things that matters...

... and now, I think I have one.

    

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Aos meus Juízes...

Ergo a mão direita e prometo dizer a verdade, nada mais que a verdade...

Lembro de um tempo em que esses mesmos juízes que me condenam sem nem mesmo me darem a chance de defesa (ou mesmo de uma simples conversa), figuravam entre as pessoas mais importantes da minha vida. Lembro de muitas vezes termos sorrido juntos, comemorado juntos e sido até mesmo amigos.

Peço a Vossas Excelências que, antes de formar veredicto sobre meus atos, considerem a estima que lhes tenho e que sempre procurei demonstrar. Peço que constem nos autos de suas cortes unilaterais todas as vezes em que os procurei com o intuito de oferecer clareza, todas as vezes em que busquei o caminho certo e não obtive resposta.

Peço permissão para dizer que tenho consciência de que nem sempre fui perfeito, mas a realidade é que na vida não existe "manual de instrução" ou código de conduta capaz de evitar qualquer dúvida ou erro na caminhada. Digo que a situação que vivemos era tão nova para mim quanto era para vocês, e que, por maior que fosse minha boa intensão, pecava por tentar proteger a pessoa amada, na impossibilidade de viver sem o sentimento que nos unia.

Trago ao conhecimento dos jurados, o fato de ter transformado a minha vida nesses últimos anos (emprego, empresa, teatro, trabalho social) também com o objetivo de me tornar digno da admiração dos Senhores Magistrados. Procurei mostrar à família daquela a quem amava que a minha natureza é boa, que cultivo princípios humanos, que sou um homem de valor... pois acredito que a visão dos senhores pode também se transformar.

Tendo Deus como minha principal testemunha, digo que o meu sentimento sempre foi sincero, e ele constitui a minha principal prova de que para mim é impossível desejar o mal de qualquer pessoa, inclusive dos meus Juízes...

Peço então clemência a este tribunal. Que os olhos daqueles que lerem essa carta, entendam que eu desejo apenas a felicidade daquela a quem amava, pois se houver justiça nesse universo... ela se manifestará independente de qualquer vontade...

Sem mais, Meritíssimos  

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Reflexão...

Observar os mundos alheios... Era esse mesmo o conselho que recebi? Havia mais... A "estranheza" dos mundos alheios. Era isso, definitivamente. É curioso como algumas pessoas sempre nos fazem refletir, seja pelas suas estranhezas ou por suas delícias, ou mesmo pela delícia de suas estranhezas...

Fato é que a capacidade do individuo de observar "estranhezas nos mundos alheios" está intimamente ligada ao seu próprio conceito de estranheza, que agirá aí como uma espécie de mediador entre aquilo que o outro pensa ser estranho sobre si mesmo, e o que efetivamente parece  estranho aos olhos de quem observa.

Foi esse o pensamento que me cortou a mente num daqueles raros momentos em que um ser humano deita as armaduras, e se deixa enxergar como é, sem máscaras, sem truques, sem bobagem. E há tão poucos seres humanos o suficiente para isso... Conversavamos sobre sentimentos quando minha interlocutora (a própria autora do conselho sobre a observação) narrou-me um fato que a ela trouxe estranheza, e foi exatamente neste ponto que meu mediador pessoal entrou em ação.

Viu ela, com espanto certamente, lágrimas rolando na face do amado, de uma forma que ela não pensava ser possível. Eis aí a mãe da estranheza: "de uma forma que ela não pensava ser possível".

O nosso mundo cobra força do indivíduo... mas esquece-se de que é preciso força (e coragem) para ser sincero consigo mesmo, e ser capaz de demonstrar o que se sente...

O nosso mundo cobra também orgulho... o que afasta as pessoas, fazendo-as criar espinhos, carregar armaduras, esconder a dor por trás de uma face serena, trancar sentimentos verdadeiros em uma concha. Protegendo-se, antes de mais nada, de si mesmas. Ou melhor, do medo de olhar para si mesmas.      

Este que vos escreve já derramou, no passado, lágrimas por quem ama... e antes de ver o fato com estranheza, ou mesmo se sentir fraco, considera o gesto como uma prova extrema do que sente... pois como foi dito... é preciso força e coragem para ser verdadeiro no mundo em que vivemos. 

sábado, 23 de julho de 2011

Pio Vero... Veríssimo!

Tem, ser humano qualquer que seja, o direito de sugerir pinceladas outras que não as escolhidas pelo mestre à sua obra? Ordinário ou virtuoso menor pode sequer cogitar alternativa para melodia que nasce da alma de um gênio? Não. Foi com essa certeza ao pé do ouvido que tomei da caneta ontem, com a infrutífera incumbência de apontar "deslizes" na coluna assinada por Luís Fernando Veríssimo, que a Gazeta do Povo tem a honra de publicar.

Fiz-me sobre-humano somente para controlar um misto de euforia e insegurança. Recolhi as minhas pretensões pra bem junto do peito, respirei da forma mais humilde de que me lembro, e preparei os olhos e o espírito para somente uma coisa... Aprender.

A cada linha, o brilho do estilo, ainda que de forma despretenciosa, como quem conta uma história para um amigo. A situação ganhava cor, movimento, clima... e eu ali, como espectador primeiro de um deslumbre reflexivo sobre a motivação (e senso de responsabilidade) por tras do penalti...

Pousei minha caneta (envergonhada) de revisor sobre a mesa, e passei a admirar a composição do texto, a clareza na exposição das ideias, o encadeiamento perfeito do raciocínio... como me cabia, já que, mesmo tendo feito uma primeira leitura "técnica", não havia sequer um espaçamento a corrigir.

Revisar Veríssimo é como buscar fio solto no tecido da perfeição, e mesmo que o leitor atribua minhas palavras a mero arroubo de admirador, com a visão turva por esse sentimento, defendo-me convidando-o à leitura da última coluna do mestre, e desafiando-o a discordar do que digo...