Nunca pensei que viveria o dia em que me faltariam as palavras... Eu, beletrista incorrigível, que de cor sempre fiz verso; que de som sempre fiz música... Descubro-me mudo diante de ti. Não é que não haja o que ser dito, há um mundo de palavras querendo ganhar teus ouvidos, há um infinito de gestos represados em mim, sonhando em escrever-se no ar e viajar ao teu encontro... Sou eu, que de tanto amar - e de um amor tão novo - não encontro forma de expressá-lo que seja digna de você.
Meu silêncio não é mais do que reverência contemplativa... Da perfeição dos teus traços; do iluminar do teu sorriso; do oceano de tua pureza. Como perturbar a placidez de tuas águas com meus desarranjados sentimentos? Como encontrar o verbo que alcance uma fagulha de tudo o que guardo em mim?
Desde que tive sobre mim as joias negras do teu olhar, envergonharam-se minhas palavras, pois nunca hão de brilhar tão intensas, nunca terão mesma vida e estarão fadadas a apenas copiar sua luz por toda a eternidade.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Cada detalhe...
A lua me pede versos. Começo a formá-los n'alma quando percebo, não sem surpresa, que, nesta noite, as letras não desejam dançar comigo. Querem, antes, ouvir... Procuram assento ao pé de mim e como amigas de toda uma vida - o que de fato são - pedem prosa. Não me sinto no direito de recusar... Prosa então.
Depois de tentar dois ou três floreios, não pude evitar de trazer ao pensamento aquela que dá sentido a toda e qualquer palavra minha; aquela que guarda o infinito no ondular da voz; aquela cujos olhos encerram os segredos de toda a pureza.
Tento dizer às minhas letras que não há outros caminhos, e, mesmo que houvesse, os reescreveria a todos para que culminassem sempre em teu sorriso. Para que serve a escrita senão para acariciar você, amada minha? De que valem os versos, brancos ou multimatizados, se não forem eles capazes de mostrar o quanto o seu existir me faz melhor?
Esta noite, sirvo-me da mesma pureza porque necessito dizer que todos os castelos que ergui, todas as armaduras que carreguei se desfazem diante de teu sorriso; que, sublime como nunca antes, encontro-me disposto a transformar cada detalhe da minha vida, cada rima da minha poesia com o único propósito de tocar seu coração, simplesmente porque não há como desfrutar de dois segundos de sua companhia sem que a alma deseje uma vida inteira deste mesmo iluminar.
Se há de fato uma bênção guardada para todos os caminheiros é justo dizer que és a minha, que me devolveste, menina, à casa a que sempre pertenci, e que por meio do amor que sinto, pude encontrar luz onde não mais pensei que houvesse.
... pois no mar onde sempre me obriguei a navegar sozinho, cada detalhe seu se fez farol em meu caminho
Esta noite, sirvo-me da mesma pureza porque necessito dizer que todos os castelos que ergui, todas as armaduras que carreguei se desfazem diante de teu sorriso; que, sublime como nunca antes, encontro-me disposto a transformar cada detalhe da minha vida, cada rima da minha poesia com o único propósito de tocar seu coração, simplesmente porque não há como desfrutar de dois segundos de sua companhia sem que a alma deseje uma vida inteira deste mesmo iluminar.
Se há de fato uma bênção guardada para todos os caminheiros é justo dizer que és a minha, que me devolveste, menina, à casa a que sempre pertenci, e que por meio do amor que sinto, pude encontrar luz onde não mais pensei que houvesse.
... pois no mar onde sempre me obriguei a navegar sozinho, cada detalhe seu se fez farol em meu caminho
Teus Caminhos
(Para meu grande irmão Glauco Laufer)
Agarra os calcanhares do vento
que se escreve sobre teu rosto
Faz dele tuas asas e voa...
Desvenda a ti mesmo
Ou, se desejares,
Redesenha-te.
De novos traços delineia o horizonte
De novos passos alimenta os sonhos
... e novas cores faz pulsar sobre os caminhos!
Agarra os calcanhares do vento
que se escreve sobre teu rosto
Faz dele tuas asas e voa...
Desvenda a ti mesmo
Ou, se desejares,
Redesenha-te.
De novos traços delineia o horizonte
De novos passos alimenta os sonhos
... e novas cores faz pulsar sobre os caminhos!
domingo, 28 de julho de 2013
... ou rouba-me o sono
Noite alta, breu do mundo
Recolhe, Morfeu, as jóias
Que esta noite o céu chorou
Dá-me, em sonho, o rosto dela
Os diamantes do seu sorriso
Ou rouba-me o sono, não me oponho
Pois o adormecer é inimigo de todos que amam
Recolhe, Morfeu, as jóias
Que esta noite o céu chorou
Dá-me, em sonho, o rosto dela
Os diamantes do seu sorriso
Ou rouba-me o sono, não me oponho
Pois o adormecer é inimigo de todos que amam
domingo, 21 de julho de 2013
Carta de um amor (des)esperado
Uma grande amiga me disse certa vez, inspirada pelas ideias de André Comte-Sponville, que a verdadeira felicidade é aquela que não se espera, que nasce da ausência de expectativas e do contentamento com aquilo de concreto que já se possui. Nem preciso dizer que tal conselho escreveu-se em mim de forma indelével, e que sua veracidade vem se comprovando inúmeras vezes na medida em que o tempo passa.
Sendo felicidade e amor espécie de "irmãos siameses por afinidade" sempre me pareceu natural a extensão desta ideia, de modo a enlaçar os dois e tornar menos nebulosas algumas estradas pelas quais os sentimentos me levam a caminhar.
Clareza e intensidade porém nunca foram grandezas intimamente ligadas e, embora conserve relativa nitidez a respeito da postura (des)esperada a se manter diante de um amor (sim, admito, amor) que, embora se encontre pleno em cada fração da minha alma e em cada letra da minha escrita, não tem se mostrado possível, de modo algum o vejo esmaecendo, nem mesmo com a possibilidade da distância, que hoje vem bater à minha porta.
Consciente da importância do esforço de "não esperar", não posso, no entanto, fugir da necessidade que sinto de expressar o quão assustadora é essa perspectiva. Aprendi a necessitar daquele sorriso no momento em que se abriu pra mim, e, em todos os dias que se seguiram, nunca houve nada que quisesse mais do que apenas viver para vê-lo novamente. Se de fato os ventos continuarem soprando na direção do planalto central, deixarei nos pinheirais muito do que sou agora, a melhor parte do que sou agora.
Compreendo que o fato de enxergarmos o mundo de forma diferente tem muitas vezes nos afastado mas como já diziam os chineses: "a verdade é um vaso quebrado do qual todos nós temos apenas fragmentos" e é por isso que sinto que cresço muito quando busco me aproximar das suas referências e imagino eu que, sob alguns aspectos (que só você pode dizer quais), haja alguma espécie de recíproca.
A verdade é que hoje se define uma parte importante do meu futuro e não poderia dar esse passo sem dizer que, seja como for, você representa muito mais do que sempre fui capaz de demonstrar e que, embora os versos deste poeta não tenham sido capazes de tocar seu coração, seu nome é a rima mais bonita que já contruí em toda minha poesia
Sendo felicidade e amor espécie de "irmãos siameses por afinidade" sempre me pareceu natural a extensão desta ideia, de modo a enlaçar os dois e tornar menos nebulosas algumas estradas pelas quais os sentimentos me levam a caminhar.
Clareza e intensidade porém nunca foram grandezas intimamente ligadas e, embora conserve relativa nitidez a respeito da postura (des)esperada a se manter diante de um amor (sim, admito, amor) que, embora se encontre pleno em cada fração da minha alma e em cada letra da minha escrita, não tem se mostrado possível, de modo algum o vejo esmaecendo, nem mesmo com a possibilidade da distância, que hoje vem bater à minha porta.
Consciente da importância do esforço de "não esperar", não posso, no entanto, fugir da necessidade que sinto de expressar o quão assustadora é essa perspectiva. Aprendi a necessitar daquele sorriso no momento em que se abriu pra mim, e, em todos os dias que se seguiram, nunca houve nada que quisesse mais do que apenas viver para vê-lo novamente. Se de fato os ventos continuarem soprando na direção do planalto central, deixarei nos pinheirais muito do que sou agora, a melhor parte do que sou agora.
Compreendo que o fato de enxergarmos o mundo de forma diferente tem muitas vezes nos afastado mas como já diziam os chineses: "a verdade é um vaso quebrado do qual todos nós temos apenas fragmentos" e é por isso que sinto que cresço muito quando busco me aproximar das suas referências e imagino eu que, sob alguns aspectos (que só você pode dizer quais), haja alguma espécie de recíproca.
A verdade é que hoje se define uma parte importante do meu futuro e não poderia dar esse passo sem dizer que, seja como for, você representa muito mais do que sempre fui capaz de demonstrar e que, embora os versos deste poeta não tenham sido capazes de tocar seu coração, seu nome é a rima mais bonita que já contruí em toda minha poesia
terça-feira, 16 de julho de 2013
Quando ela se vestiu de lágrimas
Escondia o olhar felino por detrás
de agruras calculadas...
Trêmulo, o abraço cínico ocupava os
veios da ausência,
Enquanto suplicava complacência dos
corações feridos.
Escrevia a dor na face com extrema
maestria
Nos lábios a displicência das
palavras ensaiadas
Dobrou-se em mesuras, se fez
honrarias
Pôs na boca a palavra antes
maculada
Vestiu-se de lágrimas, se fez
condolência
Lamentou o tempo, a ofensa trocada
Embora mostrasse copiosa clemência
A torpe consciência mantinha
intocada
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A Batalha de Cada Um
" Nada é mais imbecil do que desperdiçar todas as energias em uma guerra. A força espiritual do homem manifestada em tempos de guerra certamente é impressionante, mas porque não usar essa energia em outra coisa? Seria inimaginável começar uma guerra por motivos econômicos. No momento, com a benevolência de sua majestade, estou desfrutando de uma vida aprimorada em seu Império, e se sua majestade me ordenasse ir para a guerra, eu não me recusaria, pois considero que minha mente não é tão frágil a ponto de ser esmagada pela guerra. Mas eu haveria de me pronunciar definitivamente como pacifista. Farei tudo que estiver ao meu alcance para deter essa guerra"
Hachiro Sasaki, 18 anos - Tokio, 15 de Dezembro de 1941
- Trecho do livro "Éramos Jovens Na Guerra", de Sarah Wallis e Svetlana Palmer
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