terça-feira, 8 de novembro de 2011
Epifanias de banheiro (reload)
Suficientemente torturados pela curiosidade, queridos leitores? Retomo hoje (finalmente) o tema das epifanias iniciado no primeiro post da série. Liquidemos então essa fatura...
Aspecto importante dessas divagações de banheiro é que as ideias se conectam de forma irregular. Lembro de ter interrompido a nossa prosa na questão do vácuo como expressão (ou não) do nada. Retornando ao meu banheiro, tenho que dizer que, neste ponto, o meu sistema muito nervoso, fanfarrão que é, escorregou para o centro do vácuo e o fez novo foco da reflexão.
Com a mente no vácuo (hã?), ou melhor, com o vácuo em mente, pensava agora sobre as distancias no universo. Pensava que mesmo que o parâmetro para medir o espaçamento entre corpos celestes seja a "distancia que a luz é capaz de percorrer em um ano" (ano/luz), e que o referencial é sempre a distancia terrena, essa notação, essencialmente virtual, expressa algo que realmente existe. Pois isso sim pode ser calculado. E uma vez de posse de um telescópio, é necessário o conhecimento dessas dastancias e deslocamentos e orbitas, para que seja possível apontar as lentes para o ângulo correto e visualizar os entes celestes.
Agora, se os entes celestes orbitam em trajetos recorrentes, e o vácuo é o que comporta as distancias siderais, o vácuo existe de fato e, definitivamente, não é a expressão do nada. Mas nasce então outra pergunta: Se o vácuo existe e é nele que estão contidos todos os corpos celestes que compõem o universo, o vácuo não deveria existir mesmo antes do Big Bang?
Milésimos de segundos depois das sinapses nervosas percorrerem a minha rede particular de conexões, um feixe de luzes cresceu em meu intelecto e refletiu-se multidirecionalmente sobre as superfícies espelhadas que recobrem as paredes do meu banheiro. E, se nesse momento a minha vida pudesse contar com um narrador lírico, ele diria em tons agudos e oscilantes de voz: "eis aí uma legítima epifania!".
Óbvio, se em dado momento da história do universo toda a matéria estave concentrada em um "átomo original" extremamente denso, esse átomo constituiu o primeiro corpo celeste que existiu. Concluiu-se antes que todos os corpos celestes estão situados no vácuo. Desse modo, é necessário que o vácuo já desempenha-se essa função para suportar o átomo original. Provamos anteriormente que o vácuo de fato existe. Logo, o vácuo já existia antes mesmo de se existir TODA a matéria do universo. Então, é possível dizer que o vácuo (que algumas pessoas acreditam ser o nada), um dia já foi tudo!
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Migalhas
Um fato intrigante sobre as estrelas que vemos no céu é que elas (na maioria das vezes) já não estão de fato lá. E seu brilho é... Um vício de nossos olhos acostumados com a luminescencia que outrora os encantou. Sabe-se que nascem anãs. Brancas, lindas, puras, luzidias imaculadas pelo breu que as envolve e as tenta escurecer... Com o passar do tempo, porém, perdem o vigor inicial e, para convencerem a si mesmas de que ainda possuem certa majestade, agregam matéria em torno de si e multiplicam seu tamanho em um comportamento compensatório desesperado. Mais adiante, enraivessem-se com a iminência do fim, tornam-se rancorosas e vermelhas, explodindo como um pedido último de atenção.
Ao universo cabe apenas recolher suas migalhas...
Ao universo cabe apenas recolher suas migalhas...
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Se quizeres, volta!
Tenho esquecido-me da poesia. Tenho negligenciado a minha arte primeira... Ou quem sabe não tenha sido ela quem me abandonou? A prosa tem reinvindicado um espaço que antes não lhe cabia em minha escrita, é verdade, mas nem por isso posso dizer que a sutileza do poema, a métrica, a sonoridade, a ourivezaria da palavra não encante mais meu coração. Ela é quem não me chama...
Lembro de uma explosão crescente (e sublime) de significados e metáforas e figuras e sons inundando o pensamento e implorando o branco do papel para se agarrarem. Lembro-me da luminescência que experimentava ao cadenciar os versos, construir tercetos... emolduras as rimas dos quartetos... sonetear.
Embora não tenha mais sentido essa pulsão criacionista, mantenho a mente aberta a essa arte (a minha arte verdadeira). Desculpe-me a prosa, mas não a considero tão genuína, tão valorosa... Nasci para fazer nascer estrofes, não parágrafos, e nunca será diferente. Por isso, peço que se a inspiração poética anda de mágoas comigo, que venha bater a minha janela esta noite, para que eu possa beijar-lhe a testa, e voar pelo nunca e pelo sempre, como costumavamos fazer...
Lembro de uma explosão crescente (e sublime) de significados e metáforas e figuras e sons inundando o pensamento e implorando o branco do papel para se agarrarem. Lembro-me da luminescência que experimentava ao cadenciar os versos, construir tercetos... emolduras as rimas dos quartetos... sonetear.
Embora não tenha mais sentido essa pulsão criacionista, mantenho a mente aberta a essa arte (a minha arte verdadeira). Desculpe-me a prosa, mas não a considero tão genuína, tão valorosa... Nasci para fazer nascer estrofes, não parágrafos, e nunca será diferente. Por isso, peço que se a inspiração poética anda de mágoas comigo, que venha bater a minha janela esta noite, para que eu possa beijar-lhe a testa, e voar pelo nunca e pelo sempre, como costumavamos fazer...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Eco, Eco... eco... ec... e...
Ainda existe o verde no recorte de mundo que a minha janela oferece. E, a meu ver, é assim mesmo que deveria ser para todas as pessoas, mesmo que elas não se deem conta do quanto isso é importante. É por isso que, há mais ou menos um ano, munido de esperanças, valores e ar nos pulmões, passei a reforçar o vigoroso "berro" de uma galera que, assim como eu, ama o verde das suas e de todas as janelas do planeta.
Há uma série de fatores que justificam a fundação do grupo Ecoberrantes: a necessidade urgente de defender o patrimônio natural brasileiro, ameaçado por sucessivas investidas visando a alteração do Código Florestal Brasileiro (documento legal e de caráter normativo - que orienta e limita a utilização de recursos naturais, a ocupação humana de áreas urbanas e rurais e estabelece punições para o descumprimento de seus artigos) por parte dos ruralistas para atender a designios de grandes latifundiarios ávidos por maximizar seus lucros, não importando a que custo; a indignação com o descaso com que essa questão tem sido tratada pelos parlamentares que, teoricamente, deveiam refletir em seus atos a vontade de nosso povo; o desejo de mostrar que a juventude ainda tem a força transformadora tão característica de outros tempos da história política de nosso país...
Seja qual for o motivo que inflame corações e mentes de cada um que empunha nossa bandeira, fato é que cada vez mais a razão da luta se entrelaça com a razão da vida, e já se torna dificil olhar o reflexo no espelho e não pensar: "esse aí que está diante de mim é um Ecoberrante".
É esse espírito de compromisso que nos leva as ruas... Que nos põe em contato com o mundo e com as pessoas, para oferecê-las uma visão alternativa àquela que recebem da mídia e dos governantes, que distorcem a realidade de modo a criar uma lógica torpe e falsamente social e coletiva, com o objetivo de nublar o entendimento do indivíduo comum.
O vídeo abaixo é apenas uma das mobilizações que o Ecoberrantes, juntamente com o S.O.S Florestas Paraná, tem promovido em Curitiba, e, se você entende como legítimo esforços como os que vai assistir, acesse http://www.ecoberrantes.weebly.com/, e busque fazer sua parte
Há uma série de fatores que justificam a fundação do grupo Ecoberrantes: a necessidade urgente de defender o patrimônio natural brasileiro, ameaçado por sucessivas investidas visando a alteração do Código Florestal Brasileiro (documento legal e de caráter normativo - que orienta e limita a utilização de recursos naturais, a ocupação humana de áreas urbanas e rurais e estabelece punições para o descumprimento de seus artigos) por parte dos ruralistas para atender a designios de grandes latifundiarios ávidos por maximizar seus lucros, não importando a que custo; a indignação com o descaso com que essa questão tem sido tratada pelos parlamentares que, teoricamente, deveiam refletir em seus atos a vontade de nosso povo; o desejo de mostrar que a juventude ainda tem a força transformadora tão característica de outros tempos da história política de nosso país...
Seja qual for o motivo que inflame corações e mentes de cada um que empunha nossa bandeira, fato é que cada vez mais a razão da luta se entrelaça com a razão da vida, e já se torna dificil olhar o reflexo no espelho e não pensar: "esse aí que está diante de mim é um Ecoberrante".
É esse espírito de compromisso que nos leva as ruas... Que nos põe em contato com o mundo e com as pessoas, para oferecê-las uma visão alternativa àquela que recebem da mídia e dos governantes, que distorcem a realidade de modo a criar uma lógica torpe e falsamente social e coletiva, com o objetivo de nublar o entendimento do indivíduo comum.
O vídeo abaixo é apenas uma das mobilizações que o Ecoberrantes, juntamente com o S.O.S Florestas Paraná, tem promovido em Curitiba, e, se você entende como legítimo esforços como os que vai assistir, acesse http://www.ecoberrantes.weebly.com/, e busque fazer sua parte
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Epifanias de banheiro
Epifania: Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo
Lembrei-me hoje de conversa tida com a colega de revisão mais linda com quem já trabalhei - ainda que desconsiderasse o fato de ela ser um "bendito fruto entre os homens", o adjetivo caberia perfeitamente -, em que falavamos sobre compreenções súbitas da verdade, ou seja, de epifanias. Embora mais comumente usada em contexto religioso, a minha intenção ao vincular esta palavra ao ambiente destinado à eliminação de "impurezas corporais" não deve ser vista, de maneira alguma, como um desrespeito às autoridades superiores que governam o universo. É simplesmente uma alusão ao local onde costumam ocorrer as minhas epifanias...
Para ilustrar essa realidade, divido com os leitores deste blog (parcos porém de extremo valor) pequeno "causo" de tempos universitários. Estavamos reunidos, meu colega de projeto e eu, ruminando há horas em busca do conceito ideal para a campanha publicitária da "Arte Sonora", empresa fictícia, atuante no ramo de lutheria (fabricação artesanal de instrumentos musicais de corda), que nos servia de objeto de estudo para o TCC. Pausa para o banheiro e, enquanto a natureza fazia seu trabalho, a iluminação súbita do intelécto característica de uma manifestação epifânica refletiu-se em todos os azulejos que compõem o messiânico local. Nascia então o conceito "Seu som, sua marca".
E esse é apenas um dos momentos similares cujas recordações moram em meu banheiro...
Desfazendo então esse "flashback" pseudo-hollywoodiano, transporto o leitor para o dia de ontem, quando inspirado pela conversa de revisor (e pelos muitos risos que a acompanharam), pensava eu, no banheiro, óbvio, sobre a existência ou não do "nada". Confesso que esse conceito sempre me intrigou, nunca busquei fontes filosóficas, científicas ou de qualquer outra natureza que pudessem conduzir meu raciocínio sobre essa questão, justamente porque tento chegar a uma resposta que me satisfaça por meus próprios méritos. E, sendo assim, mergulhei novamente em meus compêndios interiores para farejar pistas.
A grande questão é que o nada é imaterial, é uma abstração do ser humano (abstração matemática aliás, atrelada à concepção do algarismo zero, não me recordo agora sob autoria de quem). O nada não faz parte do nosso cotidiano, pois a linguistica se encarrega de, para cada coisa, dar um nome, mesmo que essa coisa seja apenas uma ideia (assim como ocorre com o próprio nada inclusive). Alguém pode argumentar: "mas o nada pode ser representado por uma equação..., então, ele existe!" E eu sou impelido a redarguir: mas toda equação é, em si, também uma abstração... então, de fato, ela não existe. Se Platão fosse convidado a opinar, puxaria minhas orelhas dizendo: "Quantas vezes já lhe falei? Se existe no pensamento... Existe".
Eu caio então em um empasse: Se o próprio nada é um conceito, tem sua definição, seu argumento... o nada "puro" não existe. Esse é o momento em que, lá do fundo da platéia, um cientista ergue o braço e esbraveja: o vácuo é o nada! Não, meu querido, o vácuo é o vácuo... A partir do momento em que você assumiu a sua condição de existência, lhe deu um nome, uma significação, já não pode mais ser designado como nada. "Mas o vácuo é a ausência total de matéria! - grita indignado o cientista. Então como você sabe que ele é o que é, senhor cientista? Eu mesmo posso lhe dizer, devido a um desdobramento da lógica que diz: quando não existe matéria, existe vácuo. Na sua própria premissa encontra-se incrustrada a contradição, percebe?
O leitor deve estar pensando: até agora tudo o que esse maldito beletrista e filósofo de porta de banheiro me trouxe foram dúvidas... e a epifania? Onde está?
Calma, ávido companheiro, deixe-me dar mais um passo adiante. Alias, não o darei. Resolvi agora, de maldade mesmo, transformar este post em uma pequena série dividida em duas partes, e a epifania ficará para o próximo escrito...
FATALITY NA SUA ESPECTATIVA!!!!
Flawless Victory...
Lembrei-me hoje de conversa tida com a colega de revisão mais linda com quem já trabalhei - ainda que desconsiderasse o fato de ela ser um "bendito fruto entre os homens", o adjetivo caberia perfeitamente -, em que falavamos sobre compreenções súbitas da verdade, ou seja, de epifanias. Embora mais comumente usada em contexto religioso, a minha intenção ao vincular esta palavra ao ambiente destinado à eliminação de "impurezas corporais" não deve ser vista, de maneira alguma, como um desrespeito às autoridades superiores que governam o universo. É simplesmente uma alusão ao local onde costumam ocorrer as minhas epifanias...
Para ilustrar essa realidade, divido com os leitores deste blog (parcos porém de extremo valor) pequeno "causo" de tempos universitários. Estavamos reunidos, meu colega de projeto e eu, ruminando há horas em busca do conceito ideal para a campanha publicitária da "Arte Sonora", empresa fictícia, atuante no ramo de lutheria (fabricação artesanal de instrumentos musicais de corda), que nos servia de objeto de estudo para o TCC. Pausa para o banheiro e, enquanto a natureza fazia seu trabalho, a iluminação súbita do intelécto característica de uma manifestação epifânica refletiu-se em todos os azulejos que compõem o messiânico local. Nascia então o conceito "Seu som, sua marca".
E esse é apenas um dos momentos similares cujas recordações moram em meu banheiro...
Desfazendo então esse "flashback" pseudo-hollywoodiano, transporto o leitor para o dia de ontem, quando inspirado pela conversa de revisor (e pelos muitos risos que a acompanharam), pensava eu, no banheiro, óbvio, sobre a existência ou não do "nada". Confesso que esse conceito sempre me intrigou, nunca busquei fontes filosóficas, científicas ou de qualquer outra natureza que pudessem conduzir meu raciocínio sobre essa questão, justamente porque tento chegar a uma resposta que me satisfaça por meus próprios méritos. E, sendo assim, mergulhei novamente em meus compêndios interiores para farejar pistas.
A grande questão é que o nada é imaterial, é uma abstração do ser humano (abstração matemática aliás, atrelada à concepção do algarismo zero, não me recordo agora sob autoria de quem). O nada não faz parte do nosso cotidiano, pois a linguistica se encarrega de, para cada coisa, dar um nome, mesmo que essa coisa seja apenas uma ideia (assim como ocorre com o próprio nada inclusive). Alguém pode argumentar: "mas o nada pode ser representado por uma equação..., então, ele existe!" E eu sou impelido a redarguir: mas toda equação é, em si, também uma abstração... então, de fato, ela não existe. Se Platão fosse convidado a opinar, puxaria minhas orelhas dizendo: "Quantas vezes já lhe falei? Se existe no pensamento... Existe".
Eu caio então em um empasse: Se o próprio nada é um conceito, tem sua definição, seu argumento... o nada "puro" não existe. Esse é o momento em que, lá do fundo da platéia, um cientista ergue o braço e esbraveja: o vácuo é o nada! Não, meu querido, o vácuo é o vácuo... A partir do momento em que você assumiu a sua condição de existência, lhe deu um nome, uma significação, já não pode mais ser designado como nada. "Mas o vácuo é a ausência total de matéria! - grita indignado o cientista. Então como você sabe que ele é o que é, senhor cientista? Eu mesmo posso lhe dizer, devido a um desdobramento da lógica que diz: quando não existe matéria, existe vácuo. Na sua própria premissa encontra-se incrustrada a contradição, percebe?
O leitor deve estar pensando: até agora tudo o que esse maldito beletrista e filósofo de porta de banheiro me trouxe foram dúvidas... e a epifania? Onde está?
Calma, ávido companheiro, deixe-me dar mais um passo adiante. Alias, não o darei. Resolvi agora, de maldade mesmo, transformar este post em uma pequena série dividida em duas partes, e a epifania ficará para o próximo escrito...
FATALITY NA SUA ESPECTATIVA!!!!
Flawless Victory...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Sintonia
Ela: "Vou-me embora pra Pasárgada"
Eu: "Lá sou amigo do Rei"
Ela e eu: "Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei"
Ah Manoel... momentos se constroem com poesia!
Eu: "Lá sou amigo do Rei"
Ela e eu: "Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei"
Ah Manoel... momentos se constroem com poesia!
domingo, 4 de setembro de 2011
Only the real things...
I remember the first time I stopped on the way to thinking about that was right or not... Before a very long time, the true came to me and I finally understand... the real things are the only things that matters...
... and now, I think I have one.
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