Um verso se derrama, plúmbico,
Em seu marasmo... Um jazer cotidiano.
Olhos de um desdém procrastinado
Cospem palavras cinzentas
No céu da primavera.
Já o marulhar não lhe eleva o espírito.
O corpo abandonado no cais
É ébrio barco ancorado em lembranças.
...
E o poeta morto espera a mudança da lua
Para que o vento lhe traga de volta
O navegar de sua poesia.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
A Pollyanna que lhe falta
Há, crepitando em seu olhar, o fogo dos que amam o movimento. A inconformidade reluzente dos que cospem na cara do destino e o subjulgam em cada gesto que a vontade manifesta.
Muitas vezes, porém, a essência da mudança, que lhe é tão íntima, escorre pelos poros que a insegurança abre em teu espírito. Dissipando o púrpura compacto de tua energia em rosáceas - e debéis - matizes cheias de incredulidade.
Inspira os alísios suaves que lhe trazem suas conquistas. Oferece o infinito como meta a cada dom que te alicerça e, como deve ser...
Extrai o que houver de bom em cada passo que decidires dar.
Muitas vezes, porém, a essência da mudança, que lhe é tão íntima, escorre pelos poros que a insegurança abre em teu espírito. Dissipando o púrpura compacto de tua energia em rosáceas - e debéis - matizes cheias de incredulidade.
Inspira os alísios suaves que lhe trazem suas conquistas. Oferece o infinito como meta a cada dom que te alicerça e, como deve ser...
Extrai o que houver de bom em cada passo que decidires dar.
Para a grande amiga Aline Maria
terça-feira, 24 de julho de 2012
Sob o Céu de Catalão I
(foto Dulce Carvalho)
Existem histórias que somente a estrada pode escrever. A lembrança dos laços que se criaram naquele "deserto verde" do interior de Goiás traz consigo cores, sabores, risos e entorpecências típicas do Cerrado.
Se na paisagem reinava a planitude infinita daquelas terras, deliciosamente sinuoso é o relevo das minhas reminiscências. A primeira delas remete a um sono tão volátil quanto recompensador que, após um dia intenso de batalha em prol do verde da minha nação, partilhava com cerca de quarenta dos guerreiros mais valiosos com quem já reafirmei meus ideiais.
Na bagagem e no espírito, os espólios da maior manifestação em defesa do Código Florestal Brasileiro feita em Brasilia até então. Precisamente às 2h da manhã do dia 8 de março do ano corrente, o ônibus quebra em Catalão e, a partir desse ponto, o que ganhamos tornou-se inestimável...
No próximo post da série
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Religiosa displicência
A crueza da vida há muito me ensinou a gotejar em cada gesto cotidiano microdoses de displicência. E, entre os espaços que surgem quando deixo de me preocupar com a perfeição, aproveito pra fazer o meu melhor... E sorrir!
quarta-feira, 18 de julho de 2012
... e aí vamos nós (de novo)
Sábado último. Estava em casa há cerca de meia hora - ou menos até - quando uma fonte sonora de tão má qualidade quanto intenção despeja no ar, sem nenhum tipo de consideração aos meus ovidos, um jingle porcamente produzido e propositalmente xarope para me lembrar que o "Candidato A" é a milagrosa solução para os problemas seculares da minha cidade. Os lalalás se misturam aos blablablás e pronto... Está revigorado meu asco pela espécie que mais procria indiscriminadamente no ambiente atual: "Políticus Oportunistus".
E eles vão... Caminhando e cantando e enchendo a nação. Inchando o processo democrático de promessas de perfumaria e discursos de porta de boteco. Comprando dentaduras e votos, segurando e beijando bebês classe média e obrigando você a ler mais um texto como esse, de indignação recorrente.
A cada quatro anos, preenchemos - forçosamente - os pratos da balança com a carne podre disponível, o que nos leva invariavelmente às opções: fé demais ou fé de menos. E pior... Como já vem se tornando praxe, a geração "sangue do meu sangue" engrossa o caldo e afina a esperança.
...
Na corrida por um salário milhardário, pouco importa se o "pobrema" é de saúde, saneamento, segurança ou... de Língua Portuguesa mesmo. Eu, que nunca antes olhei para além da minha confortável realidade, mostro os dentes (e outros atributos previamente selecionados) para que acreditem que, com seu voto, vocês transferem a um homem honrado o sagrado (?) dever de zelar pelos interesses de pessoas cujos rostos eu procuro evitar após o período de eleição...
E, antes que eu esqueça, meu número é...
E eles vão... Caminhando e cantando e enchendo a nação. Inchando o processo democrático de promessas de perfumaria e discursos de porta de boteco. Comprando dentaduras e votos, segurando e beijando bebês classe média e obrigando você a ler mais um texto como esse, de indignação recorrente.
A cada quatro anos, preenchemos - forçosamente - os pratos da balança com a carne podre disponível, o que nos leva invariavelmente às opções: fé demais ou fé de menos. E pior... Como já vem se tornando praxe, a geração "sangue do meu sangue" engrossa o caldo e afina a esperança.
...
Na corrida por um salário milhardário, pouco importa se o "pobrema" é de saúde, saneamento, segurança ou... de Língua Portuguesa mesmo. Eu, que nunca antes olhei para além da minha confortável realidade, mostro os dentes (e outros atributos previamente selecionados) para que acreditem que, com seu voto, vocês transferem a um homem honrado o sagrado (?) dever de zelar pelos interesses de pessoas cujos rostos eu procuro evitar após o período de eleição...
E, antes que eu esqueça, meu número é...
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Música e engajamento social
Projeto de incentivo à cultura local criado pela banda curitibana Haullys
traz Champignon, baixista do Charlie Brown Jr., para um show hoje à
noite no Empório São Francisco
Enrico Boschi (21/06/2012)
A música sempre demonstrou uma íntima relação com a transformação da realidade social. E quando se observam resultados extremamente positivos, como os do projeto desenvolvido pelo maestro João Carlos Martins, por exemplo, que leva a música erudita a crianças e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, oferecendo aos integrantes novas perspectivas de vida, não há como não reconhecer o quão frutífera é essa relação.
Foi também pensando em colaborar para o crescimento das comunidades do seu entrono que a banda curitibana Haullys, na ativa desde 2009, idealizou uma série de projetos interligados, cujos eixos principais são: projetar a cena artística curitibana – e paranaense – em nível nacional, promover a importância da convergência e o intercâmbio de diversas formas de manifestação artística e levar eventos artísticos a localidades que normalmente não têm acesso a eles, oferecendo canais de divulgação para a cultura local.
Segundo o vocalista Sandro Godinho, é extremamente importante trazer visibilidade à cena paranaense, visto que o estado é também um local de produção cultural de muita qualidade: “A gente [Haullys] acompanha tudo o que acontece na cena local e a nossa preocupação é muito mais do que fazer música, é levar qualidade cultural para as pessoas que não têm acesso, é trazer grandes artistas pra conhecer o que é nosso, pois sabemos que é possível transformar o Paraná em um estado de referência cultural, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo entre outros”, explica.
É com esse intuito que o projeto Haullys Convida já trouxe a Curitiba artistas como o vocalista Tico Santa Cruz (Detonautas Rock Clube), o baixista Canisso (Raimundos) e, na noite de hoje, recebe Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr. (confira no quadro ao lado a lista completa dos artistas que já participaram do projeto), para uma jam session que acontece no bar Empório São Francisco – nesta edição, serão apresentadas 15 canções, a maioria do repertório do Charlie Brown Jr. e algumas escolhidas de acordo com influências em comum entre o músico e a banda curitibana.
Convergência
Além dos shows, o projeto conta ainda com o quadro Haullys Entrevista, um bate-papo em que o artista convidado tem a oportunidade de expor sua opinião a respeito do projeto e do cenário cultural, que é filmado e exibido na página da banda no Facebook.
Está ainda em fase de produção a mais audaciosa das etapas do projeto, o Haullys Documentário, registro cinematográfico de uma série de apresentações gratuitas feitas em locais públicos de áreas afastadas, em parceria com atletas amadores de skate local e grafiteiros também da região. Aprovado pela Lei Rouanet, o projeto já conta com o apoio de uma empresa de turismo e um grupo de restaurantes.
Matéria originalmente publicada no Caderno G da Gazeta do Povo. Link: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1267274&tit=Musica-e-engajamento-social
Enrico Boschi (21/06/2012)
A música sempre demonstrou uma íntima relação com a transformação da realidade social. E quando se observam resultados extremamente positivos, como os do projeto desenvolvido pelo maestro João Carlos Martins, por exemplo, que leva a música erudita a crianças e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, oferecendo aos integrantes novas perspectivas de vida, não há como não reconhecer o quão frutífera é essa relação.
Foi também pensando em colaborar para o crescimento das comunidades do seu entrono que a banda curitibana Haullys, na ativa desde 2009, idealizou uma série de projetos interligados, cujos eixos principais são: projetar a cena artística curitibana – e paranaense – em nível nacional, promover a importância da convergência e o intercâmbio de diversas formas de manifestação artística e levar eventos artísticos a localidades que normalmente não têm acesso a eles, oferecendo canais de divulgação para a cultura local.
Segundo o vocalista Sandro Godinho, é extremamente importante trazer visibilidade à cena paranaense, visto que o estado é também um local de produção cultural de muita qualidade: “A gente [Haullys] acompanha tudo o que acontece na cena local e a nossa preocupação é muito mais do que fazer música, é levar qualidade cultural para as pessoas que não têm acesso, é trazer grandes artistas pra conhecer o que é nosso, pois sabemos que é possível transformar o Paraná em um estado de referência cultural, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo entre outros”, explica.
É com esse intuito que o projeto Haullys Convida já trouxe a Curitiba artistas como o vocalista Tico Santa Cruz (Detonautas Rock Clube), o baixista Canisso (Raimundos) e, na noite de hoje, recebe Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr. (confira no quadro ao lado a lista completa dos artistas que já participaram do projeto), para uma jam session que acontece no bar Empório São Francisco – nesta edição, serão apresentadas 15 canções, a maioria do repertório do Charlie Brown Jr. e algumas escolhidas de acordo com influências em comum entre o músico e a banda curitibana.
Convergência
Além dos shows, o projeto conta ainda com o quadro Haullys Entrevista, um bate-papo em que o artista convidado tem a oportunidade de expor sua opinião a respeito do projeto e do cenário cultural, que é filmado e exibido na página da banda no Facebook.
Está ainda em fase de produção a mais audaciosa das etapas do projeto, o Haullys Documentário, registro cinematográfico de uma série de apresentações gratuitas feitas em locais públicos de áreas afastadas, em parceria com atletas amadores de skate local e grafiteiros também da região. Aprovado pela Lei Rouanet, o projeto já conta com o apoio de uma empresa de turismo e um grupo de restaurantes.
Matéria originalmente publicada no Caderno G da Gazeta do Povo. Link: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1267274&tit=Musica-e-engajamento-social
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