Na porta, o homem-átrio se desfez na galhofa do poeta
Miles Davis, do alto de sua pixelialidade fotográfica,
Vertia mudas blue notes que se derramavam pela parede azul
e morriam sem pairar, sem fluir, sem impregnar o ar...
Curvas de luzes quentes crivavam o chão
de ínfimos e caóticos sóis verdes-rubros...
Ensinando pés ondulantes a dançar.
Almodóvar exibia suas mulheres para o nada
Enquanto os furos loucos e oculares da cantora
agrediam o microfone com seus erres metralhados
No castelo etílico, dourados cachos afogavam as bocas dos copos
Que, como escudeiros, sorviam antes a pimenta
e o veneno duo-colorado. Uma, duas, quatro doses...
E a pista nos convidou a dançar
E dançamos, vezes molengos, vezes frenéticos
Vezes Vesúvios... Mas sempre poéticos.
Escreve, a morena, seu corpo por entre os espaços
O líder-floresta deixa-se desarmar e abraça a música
O guerreiro-infante costura os primeiros laços de veludo
Enquanto os olhos do poeta transformam veludo e pimenta
Em poesia...
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