segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Freedom...


Blackbird (The Beatles Cover)

Blackbird singing in the dead of night,
Take these broken wings and learn to fly.
All your life,
You were only waiting for the moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night,
Take these sunken eyes and learn to see.
All your life,
You were only waiting for the moment to be free.
Black bird fly, black bird fly
Into the light of the dark black night.
Black bird fly, black bird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly.
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise

O manto do mendigo



Olhava a cidade passando pela janela do banco do carona, enquanto evitava pensar. Sentia aquele cansaço físico típico de um dia longo de trabalho, acrescido de um certo descaso moral, natural deste início de ciclo. Desviava os olhos das arapucas publicitárias que competiam entre si pela minha atenção, simplesmente porque sei que funcionam e, naquele dia, pretendia manter minha autoestima a salvo.

Foi neste ponto que a rua gritou pra mim, e entre o ruido desarmônico do cotidiano, que sempre me soou mais como uma súplica da pólis que adoece sob um exoesqueleto perfumoso e verde de cidade-sorriso, pude testemunhar o caminhar do mais forte.

Era tudo, menos comum. Seus passos sobrepunham-se ao caminho com superioridade, o cabelo desgrenhado lhe caia como uma coroa. E enquanto seguia dominando cada centímetro do trajeto, sobre seus ombros dormia o manto que é próprio dos grandes homens. Já não lhe importavam os sapatos rotos, pois são marcas dos que sobrevivem; as roupas batidas apenas lhe aumentavam a altivez. E os buracos no manto eram lições de humildade que o rei (ignorado) da pólis dava a meus olhos de burguês.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aquele velho adeus, e uma rolha na testa!

Este NÃO é um texto de felicitações pelo ano que se inicia. Este também NÃO é um texto de análises retrospectivas. Na verdade, esse texto vai ser o que ele decidir ser na medida em que for ganhando forma durante a própria escrita.

...



São as mesmas sete ondas, são os mesmos nove (ou doze) bagos de uva... E as mesmas promessas e superstições tolas, vazias e clichês no momento em que o relógio decreta a morte por insuficiência respiratória do ano que deixamos para trás.

Você escolhe a cor da roupa para a virada. Quer dinheiro mas reclama de ter de trabalhar. Deseja amor mas apoia sua visão do outro em noções rancorosas e injustificáveis de que todos os homens ou mulheres são iguais, indignos do último ser virtuoso do planeta, representado pela sua pessoa. Faz pedidos para Iemanjá e para todos os santos e entidades que julga capazes de transformar sua realidade, enquanto senta a bunda no sofá e espera seus sonhos se cristalizarem. Você deseja um país sustentável e sem corrupção mas elege quem rouba seu dinheiro e destrói suas florestas. Imagina como quer que as coisas sejam no futuro sem caminhar no presente em direção a elas...

Mais do que perda de tempo, promeças vazias são um retrato da insipiência de nossos dias... Em que nos colocamos todos a um passo da insanidade... Reproduzindo os mesmos comportamentos e esperando resultados diferentes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como um vaso velho e quebrado...



Aquelas ranhuras? Conheço-as todas. E há muito tempo... escrevem-se, aprofundam-se, rasgam-se em minha alma desde muito...

Não é que não as tenha tentado consertar antes... Tentei sim, aliás, com afinco até. E das mais diferentes formas. Tentei inibí-las com uma postura altiva, um desdém calculado mesmo, para mostrar comando. Como se quizesse dizer: "A minha vontade se sobrepõe a vocês". Até perceber, quando a noite caía, que elas continuavam lá, e a cada vez que certos pensamentos invadiam minha mente, ganhavam em comprimento e espessura.

Tentei cobrí-las... disfarçar seus traços com um sorriso. Anestesiá-las, alterando a consciência...

Cada fenda é uma recusa, uma espectativa frustrada, um sonho desfeito... uma dor que nasce e macula a pureza inicial do meu existir.

Não há pessoa no mundo que não as assemelhe com as próprias, e que, dessa forma, não as entenda. O que muitas vezes mostra-se dificil de entender é o porquê de as carregar pela estrada, entender as razões que nos obrigam a suportá-las e seguir com elas.

A planta que nunca se dobrou ao vento quebra-se na primeira lufada de ar... o vaso que não apresenta ranhuras não está preparado para adornar a vida verdadeiramente. Somos mais fortes quando enfrentamos, resistimos e aprendemos.

Há de se reconhecer (e glorificar) o fato de que esse aprendizado é ainda mais rico quando ocorre com o auxílio de pessoas capazes de lhe compreender e lhe oferecer o apoio necessário para encontrar a maneira certa de olhar para nós mesmos. E enquanto a pureza daqueles olhos azuis me mostrava a imagem de Deus refletida neles, eu desci como um vaso velho e quebrado... E me reergui como um vaso novo...  


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Superego e suas babaquices...

Ligue a televisão. Folheie uma revista. Vá a um show de um artista que lhe agrade. E sinta-se vitorioso se depois disso tudo você ainda for capaz de, simplesmente, ser você mesmo.

Há um mundo de coisas lá fora gritando em nossos ouvidos o quanto somos inaptos e desajustados todos os dias. É tanto discurso reforçando uma porção de pseudo-verdades (e pseudo-valores) que você acredita que a cada segundo tem de reaprender a viver para não ter de ser empoleirado na estante da obsolescência social...

E você comprando, copiando, fingindo, formatando, se vendendo, mutilando suas virtudes originais, iludindo, oprimindo... Nasce aí uma supramente padronizada e coletiva que transforma os homens em meros reflexos redundantes de si mesmos... pois é esse o protocolo. Aceite, e viva (se puder).    

Na fímbria da vida virtual em que fingimos viver, existir não é mais do que administrar simulacros de características residuais 

 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Despojo


Foto: Blog do Mesquita

Batem do corpo a poeira, a fadiga e o sangue,
Mas há na lembrança marcas escritas com fogo
Parasitando-lhes o que sobrou de existência.

O Sol em zênite lhes triplica o fardo.
Nas feridas da carne ardem as súplicas
Enquanto a honra distorcida ignora clemência.

Já não se entoam cânticos sobre este solo
Pois a terra esqueceu seu próprio nome,
E as vozes foram ceifadas com bombas.

Escondem a face mulheres e homens
Pois se fez estéril sua esperança
Diante da mão que sufoca o amanhã.

Dobram os joelhos os filhos de Alá
Resistem ao câncer que os oprime
Que a ganância soprou para o céu do Oriente.

A guerra que desfigurou o rosto do deserto
Agora desvia os olhos e tenta esqucer as marcas.

Quando transformam-se os discursos infecundos
E as fronteiras já não suportam as moléstias
O que sobra é um país transmutado em despojo.

E a águia já não sustenta em voo a própria soberba.






domingo, 11 de dezembro de 2011

Quando você chegar (à Giovana)

Haverá, creio eu, noite de ventos suaves,
E paternais serão as letras da madrugada.

Haverá ainda um caminhar de passos firmes
E o bálsamo simples do cotidiano...

Escolherei, sempre, de pronto o reencontro
E as palavras fluirão dos lábios como antes.

Verei em teus traços muito do que desenhei
E em tua voz reconhecerei meu aconcelhar.

Quando tiveres sono, dormirás ao som de Beatles
Que em voz vacilante (e morna) deitarei ao seu ouvido.

Se um dia tiveres medo, serei a mão e a espada
Farol luzidio, intenso e perene a te guiar.

Serei o riso e o abraço do júbilo
E os olhos fitos da retidão.

E descerão pela face lágrimas de orgulho
A cada mistério do mundo que você desvendar.

Pois será plena enfim minha vida, quando você chegar...