quinta-feira, 11 de julho de 2013
Adeus à Isla Negra..
Da pele, o sal marinho das tuas letras
penetra os veios do sangue e busca
irmandade com a alma do teu aprendiz.
Generoso, Neruda, permitistes mergulhar os pés
na fonte do teu verso e, como tú, passar
a ser terra, a ser jade, a ser onda, a ser Chile.
Aprendi, dos teus ouvidos, o som da reza vermelha
do povo araucano, o tilintar fino das agulhas chuvosas e
persistentes, desenhando-se sobre tua capa negra de poeta.
Tive na boca o gosto do trigo...
Das multicolores frutas do Mercado
... dos seios de Singapura
Mas, também como tú, amei Matilde...
seu amor pelo mar, pela lua, pela areia,
Seu suave entrelaçar de pernas ao dançar
Senti a morte nos lábios quando a Espanha
Rasgou de Lorca o peito e calou suas letras...
Em Granada, saltei-lhe o esquife em honraria
Estive dormindo em tuas reminiscências
Ó copíhue branco do Bosque Chileno
Dividi contigo a barca para Isla Negra...
E, depois de sorrir, amar, morrer contigo
Só resta a mim dizer adeus...
terça-feira, 9 de julho de 2013
Temperando...
Fragrantes, entrelaçados os aromas do meio-dia.
Plácidos, em seus berços poliméricos,
abelhudam os tubérculos...
Segredando o cozer da vida.
Não há sussurro que não se enrede
em fios macarronados...
Nem tempero que falte às anedotas,
Brevemente marinadas em fatos cotidianos.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Veludo e pimenta
Na porta, o homem-átrio se desfez na galhofa do poeta
Miles Davis, do alto de sua pixelialidade fotográfica,
Vertia mudas blue notes que se derramavam pela parede azul
e morriam sem pairar, sem fluir, sem impregnar o ar...
Curvas de luzes quentes crivavam o chão
de ínfimos e caóticos sóis verdes-rubros...
Ensinando pés ondulantes a dançar.
Almodóvar exibia suas mulheres para o nada
Enquanto os furos loucos e oculares da cantora
agrediam o microfone com seus erres metralhados
No castelo etílico, dourados cachos afogavam as bocas dos copos
Que, como escudeiros, sorviam antes a pimenta
e o veneno duo-colorado. Uma, duas, quatro doses...
E a pista nos convidou a dançar
E dançamos, vezes molengos, vezes frenéticos
Vezes Vesúvios... Mas sempre poéticos.
Escreve, a morena, seu corpo por entre os espaços
O líder-floresta deixa-se desarmar e abraça a música
O guerreiro-infante costura os primeiros laços de veludo
Enquanto os olhos do poeta transformam veludo e pimenta
Em poesia...
Miles Davis, do alto de sua pixelialidade fotográfica,
Vertia mudas blue notes que se derramavam pela parede azul
e morriam sem pairar, sem fluir, sem impregnar o ar...
Curvas de luzes quentes crivavam o chão
de ínfimos e caóticos sóis verdes-rubros...
Ensinando pés ondulantes a dançar.
Almodóvar exibia suas mulheres para o nada
Enquanto os furos loucos e oculares da cantora
agrediam o microfone com seus erres metralhados
No castelo etílico, dourados cachos afogavam as bocas dos copos
Que, como escudeiros, sorviam antes a pimenta
e o veneno duo-colorado. Uma, duas, quatro doses...
E a pista nos convidou a dançar
E dançamos, vezes molengos, vezes frenéticos
Vezes Vesúvios... Mas sempre poéticos.
Escreve, a morena, seu corpo por entre os espaços
O líder-floresta deixa-se desarmar e abraça a música
O guerreiro-infante costura os primeiros laços de veludo
Enquanto os olhos do poeta transformam veludo e pimenta
Em poesia...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Infinito de minuto
Pediu um café. Sentou-se à mesa.
Trazia as lembranças emaranhadas
nos fios de cabelo.
A cidade cuspia suas súblicas
Enquanto ele, se bastando, pleno de si,
Orquestrava o próprio infinito.
Café...
... com aroma de devaneio
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Os olhos da Baptista
Foto: Alexandre Mazzo
Fonte: Portal Imprensa
Refletia o mundo no azul dos olhos
E eram canção, eram sorriso, e eram luta,
e eram inquietude, e eram pensamento
De clareza tal, além do existir...
Capaz de transpassar, heroica, o mais
espesso e plúmbico capítulo da história
E escrever-se - incólume - na alma da gente.
Nasceram destes olhos tuas crianças
E também deles aprenderam a Berrar
Para não consentir...
E, quando partem,
Novamente nos ensinam...
A ter coragem, a seguir a
luz que fez brilhar nas florestas
do teu legado.
Viva Baptista! Sempre!
Pois em nossos olhos arde
a mesma esperança...
A mesma chama que nos ergue
e nos impede de calar.
Pois como aprendemos contigo:
"Quem cala consente, por isso Berramos"
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Sobre as manifestações...
O povo brasileiro se levantou. Na dura realidade da exploração diária orquestrada pelo Estado finalmente se reconheceram como iguais e, em diversos atos de coragem, coletividade e ânsia de se fazer ouvir, deram voz a um descontentamento amorfo (e nem por isso menos concreto) de múltiplas origens, que ecoa nas ruas e reverbera nos ideais adormecidos (ou em formação) de uma geração que passa a entender a responsabilidade que possuem.
Quando mil, dez mil, cem mil tomam as ruas para esbravejar aos ouvidos do poder público que O Brasil Acordou, mostram a ele e ao mundo que a passividade com que costumavam lidar com a realidade política e social do país começa a dar lugar a uma efervescência crescente do desejo de libertação de um Brasil de potencialidades convenientemente incubadas pela corrupção, pelo descaso, ineficiência das estruturas de governo e manipulação midiática da informação.
Se a faísca responsável pela explosão dos protestos foi a repressão violenta de um protesto legítimo pelo aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, outros tumores corroem há tempos a fé do brasileiro na administração pública, de forma lenta e silenciosa. Os impostos mais elevados do planeta ainda assim não são convertidos em escolas, hospitais, serviços públicos de qualidade, antes, transmutam-se em verba capaz de comprar apoio político, propina para atravancar engrenagens jurídicas ou ainda produto de obras superfaturadas - inclusive as da Copa - para enriquecimento alheio.
Tais desvios - de dinheiro e de caráter - reiterados acabam sempre por cair sobre os ombros dos que trabalham, e a indignação oriunda desta realidade é o que vai compor o tal do descontentamento amorfo que naturalmente impele o povo a buscar mudanças, como estamos vendo atualmente nas ruas de todo o Brasil.
É lógico que em um universo tão vasto e heterogêneo de indivíduos coexistem diversas leituras a respeito da postura que as manifestações devem assumir. Há os que tentam vincular suas ideologias partidárias a este que é por essência um movimento livre deste tipo de orientação, há os que cobram lideranças deste que é o primeiro levante de tal magnitude organizado sob a horizontalidade, difusão e abrangência do universo virtual. E há ainda os que justificam os pequenos focos de vandalismo observados como uma resposta "na mesma moeda" ao vandalismo cotidiano que o Estado perpetra contra o cidadão, sem entender que se um dos cernes da questão é justamente a desoneração de tributos abusivos (como os que incidem sobre a passagem de ônibus e a encarece) praticados pelo governo, a recuperação da coisa pública depredada vai agir contra esse objetivo, uma vez que acarreta novos custos.
Todos estes pontos porém não diminuem o fato de que as movimentações atuais representam um marco histórico para a participação popular na política brasileira, pois mostram que democracia pode e deve ser muito mais do que comparecer às eleições nas datas programadas, que a cultura da manifestação pela mudança deve sim se transformar em uma ferramenta poderosa de alcance do bem-comum nas mais diversas esferas de atuação social. À frente manifestantes! Tomem nas mãos o dever de tornar a revolução cotidiana e transformar de forma indelével os rumos deste país
domingo, 16 de junho de 2013
SMN: Friends - Dublagem Curitiba - Encerramento
Salve Neurônicos!
Antes de vocês esbravejarem por causa da quebra na sequência dos posts, nós do Sistema Muito Nervoso temos um recadinho para os mais indignados: That's life, my dears! O nome disso é quebra de expectativas, e o post de hoje tem tudo a ver com isso.
Quem acompanha essa série desde o início sabe que, em quase todos os posts, a gente fez algum tipo de referência ao Toy Story 3 que, segundo o cronograma original, seria o filme que marcaria "a formatura" do primeiro módulo do nosso curso de dublagem. Pois bem, o mundo gira, as coisas mudam e, muitas vezes - como nessa, por exemplo - mudam pra melhor!
Já no primeiro dia de curso as palavras "essa turma é muito rápida" expressavam o contentamento da nossa sagaz professora Mônica Placha com relação ao desempenho dos novatos que, deslumbrados com um mundo de descobertas a nossa frente, sorvíamos cada detalhe, cada ensinamento. Sem demagogia, o empenho foi geral... E os frutos vieram com a mesma velocidade.
Ao invés de seguirmos dublando uma animação - como estava previsto - em uma atitude arrojada, a professora decide fechar o curso com um seriado de humor (não qualquer seriado de humor mas "O" seriado de humor), que, em circunstancias normais, costuma aparecer lá pelo módulo 3... O já experimentado (e muito desafiador) Friends.
Então, todos munidos da milenar arte do Unagi, entramos no aquário com o desafio de captar o timing de comédia perfeito de Chandler Bing; a fala insanamente acelerada de Monica Geller; as entonações inconfundíveis de Ross Geller; o Smelly Cat de Phoebe Buffay, o non-sense de Joey Tribiani... E toda a imensa "sem gracisse" da Rachel (sei-lá-o-que).
Como aluninhos aplicados que fomos, fizemos marcações no texto acentuando pausas, acelerações, reações, adaptando os diálogos. Durante a cena procuramos sincronizar nossas falas com as batidas labiais dos personagens ao mesmo tempo em que observávamos o Time Code em busca do momento certo de fazer a entrada e o encaixe das frases. Também nos preocupamos com a intenção dos diálogos, sempre de olho na melhor interpretação dos mesmos para fazer jus às excelentes piadas dos seis amigos.
Teria sido ótimo dublar Toy Story (sim) mas quando dissemos que esta mudança na escolha do filme foi pra melhor é porque tivemos fortes razões pra isso. Friends reflete muito do clima de amizade que se criou também dentro do estúdio. Durante uma semana, o Sistema Muito Nervoso conviveu com pessoas incríveis, totalmente abertas ao novo, ao desafio, e que enfrentaram os erros com as melhores vibrações possíveis, sempre com aquele sorriso no rosto que só quem ama o que está fazendo sabe como é.
Aprendemos muito com a superação de cada um. Com a doçura das lindas Ariane Wisnieviski, Lê Beck, Cláudia Gobor, Cristina Fergutz, Cristiana Monteiro, Cristina Polakoski e Ketrim (trim) Mascarello. Nos divertimos com as vozes caricatas do Fernando Jr. Nos inspiramos na juventude de Jonathan Duarte e no vigor de Paulo Henrique Amaral. Somente a palavra fantástica define essa turma!
Apesar de o Sistema Muito Nervoso não poder acompanhar a galera no próximo módulo, lembramos de um trecho da música de abertura do Friends que diz "I'll be there for you" porque a gente sabe que amizade é pra sempre! Valeu e até o próximo post
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