segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SMN Indica: Squalidus Johnsons - Parte 1

"Lascas de baqueta espalham no salão,
Você tá indo embora e o show tá um tesão."




E é com esse trecho da mais pura poesia parasita que o Sistema Muito Nervoso tem o prazer de introduzir - mas com carinho - o trabalho de uma das bandas mais insanas de Curitiba: Squalidus Johnsons.

Na cena independente há cerca de dez anos, o quarteto formado por Marcelo Dallegrave (Dall Johnsons - vocal), Daniel Dias (Chuck Johnsons-Bronsons - batera), Téo (Bernie Johnsons - baixo) e Elenton (Mindux Johnsons - Guitarra) faz as cordas do punk rock vibrarem em busca de "Sexo, drogas e desejos uterinos", nas palavras de uma grande fã da banda.

Segundo os caras, tudo começou “parasitando” o equipamento dos brothers da Bad Folks, uma banda “inimiga” que costumava ensaiar em um local lendariamente conhecido como a “Casa dos Caras”, onde uma galera se reunia para jams de improviso.

Originalmente contando com até doze integrantes, pela estrada ficaram nomes como Zé (Alex Johnson - vocal original) e Sheikman, primeiro baixista que, segundo relatos, vive hoje na Espanha administrando a renda de seus dias de glória Squalida.

As primeiras composições são verdadeiras pérolas como Tiom Kim, Pudim e Muito Menos, sempre mantendo a linha sacana e bem-humorada já característica do jeito Squalidus de fazer música.

Acordes Squalidus

O processo de gravação efetiva começou de fato no período de 2010/2011, no próprio local de ensaio da banda – Estúdio Underock – com os próprios integrantes cuidando dos aspectos técnicos.

Mas talvez o mais impressionante seja mesmo o modo como tomam forma as composições. “Geralmente, vem o título da música primeiro” – comenta Dallagrave “ou uma frase, como no caso de ‘Você Já Foi Com Essa Camisa Pra Escola’, completa.

“A gente têm um processo bem livre. Quando o Daniel morava numa república, a galera durante as festas costumava montar frases com imãs de geladeira, e essas frases estão em diversas músicas.”, lembra Mindux. “Inclusive a letra completa de “Irma Fuma” saiu dessa geladeira... Temos que dar os créditos a ela (risos)”, completa Dallagrave.

O fim do Mundo

O disco, com 22 faixas e lançamento previsto para 2013, é, segundo os integrantes da banda, um misto de rock/hardcore e metal com “Rock piada”, “rock jingle” e “rock rural”, com influências que vão desde Ramones a Raul Seixas.

“Esse mix é o que chama a atenção, tem essa coisa do humor e também tem o som que vai agradar o cara que gosta das mesmas coisas que a gente gosta, porque as influencias são muito próximas com as do nosso público”, afirma Daniel. Como uma espécie de preview, a banda tem soltado algumas músicas na página da banda no Facebook. Até agora, duas canções já estão disponíveis: “Padaria” e “Tobias” que você pode conferir aqui e aqui


E, antes do fim do mundo, ainda rola mais surpresa, fiquem ligados na página da banda... No próximo post da série, um vídeo com a banda, aguardem!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"Cut Me Some Slack"



Salve Neurônicos!! Todos vivos?

Depois de ontem  - 12/12/12 - nós do Sistema Muito Nervoso ainda estamos nos refazendo... É por causa da "força cósmica" dessa data cabalística? Não, é muito mais.

Quem assistiu (seja pela internet ou pessoalmente) o Concert for Sandy Relief, no Madson Square Garden, em Nova York, teve a certeza de que se os Maias estiverem certos e esse for mesmo o ano em que essa porra toda vai pro vinagre... DANE-SE, pois eles viram Eric Clapton, Bruce Springsteen, The Who, Rolling Stones e uma caralhada de gente foda no mesmo palco!!! E isso nem foi o mais insano...

Acontece que neste Olimpo estava também Sir. McCartney que, em um iluminado momento convidou ao palco Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear (Sim, os remanescentes do NIRVANA) para tocarem juntos pela primeira vez desde o trágico fim de Kurt Cobain (que dispensa apresentações).

Dave e Pat tocam juntos no Foo Fighters e Krist colaborou em uma das faixas do mais recente disco dos ex-companheiros de banda mas, no palco, os três não pisavam juntos há anos... O que fez desse um momento histórico!

O resultado você confere abaixo:



sábado, 24 de novembro de 2012

Entrevista e Vídeo: Coletivo Dente de Leão


Áudio/Visual: Graúna Filmes

Seguindo o dever neurônico de trazer questionamentos sociais e apoiar esforços legítimos de transformação do bem-comum tão próprio do Sistema Muito Nervoso, retomamos o tema do repúdio e mobilização contra a violência contra a mulher.

Como vocês já sabem, no último sábado (24) rolou o Ato Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, uma flashmob que tomou as ruas da Boca Maldita, em Curitiba, convidando os passantes a refletir sobre a questão das diversas formas de violência.

E pra instigar ainda mais os neurônios da galera, convidamos as militantes do Coletivo Dente de Leão - Direitos Humanos e Cidadania - Fernanda Liana (designer gráfica) e Jussara Cardoso (professora de informática) para uma conversa sobre a importância do trabalho que realizam na organização da manifestação e o impacto disso na sociedade

SMN: Antes de mais nada obrigado pela disponibilidade. Bom, pra começar, explica pra gente a atuação do Coletivo e qual foi a inspiração pra essa marcha nos moldes de uma flashmob:

Liana: O coletivo é um grupo que procura "conversar" com diversos outros movimentos sociais no sentido de organizar diversas ações de repúdio e conscientização contra a violência, homofobia, transfobia e outros temas. O coletivo já tem essa inclinação para abordagens "artísticas" por contar com pessoas do meio integrando o movimento, e foi por isso que escolhemos esse "protesto silencioso" para simbolizar a falta de voz e sofrimento das vítimas da violência. As vezes, uma abordagem diferente se mostra necessária pois com o choque, o indivíduo sai da sua "zona de conforto", de sua percepção saturada e parte para a reflexão.

Jussara: A ideia da flashmob foi representar, por meio de cartazes e caracterização, casos de violência, oferecendo a perspectiva do sofrimento da vítima e a ignorância e covardia do agressor. O objetivo é que essa dualidade cause ainda mais impacto pois espera-se uma espécie de identificação com os fatos ocorridos, levando daí à reflexão e mudança de postura.

SMN: O conceito de violência contra a mulher é bastante abrangente. Pode-se falar de, além de violência física, de violência psicológica e também sexual. Na vida em sociedade, existem outras formas veladas de violência contra a mulher abarcadas pelo ato do último sábado?

Liana: É claro que houveram muitos avanços mas ainda existem muitos aspectos culturais que geram "pequenas violências" a serem extintos. Até mesmo quando uma mulher recebe uma cantada agressiva, por exemplo, existe a ideia errônea de que "o homem tem direito de fazer isso" apenas por ser homem e, dessa forma o corpo feminino faz parte de seu domínio.

Jussara: Essa mentalidade se perpetua desde sempre. A ideia de que a mulher tem de sofrer a violência e permanecer calada. Ou até mesmo transmitir a mesma violência para outras mulheres, quando aceitam uma "brincadeira" que as denigre, refletindo e validando esse tipo de comportamento. Machismo é uma questão cultural, ninguém nasce machista, as pessoas se tornam machistas quando recebem influencias e perpetuam comportamentos.

SMN: Como vocês enxergam a situação da mulher na sociedade atual? Atos como esses tem o poder de alterar circunstancias em um nível macro?

Jussara: Atualmente, os avanços que o feminismo traz para as mulheres são muito pontuais. A mulher tem sim o direito de votar, de trabalhar, mas ainda não é livre para vestir-se como deseja, ser o que deseja sem ser taxada como "vadia". Alguns argumentam que conseguimos maior espaço na política, mas não adianta ter mais mulheres em cargos públicos se as mesmas não estiverem alinhadas com pensamentos igualitários efetivos. Todo e qualquer avanço demora muito tempo para ser percebido pois é difícil mudar toda uma cultura. Nós queremos ajudar a construir na mente das pessoas ideias que já deveriam fazer parte do comportamento comum como: "mulher não é objeto", "violência física contra a mulher, em qualquer circunstância, é condenável"

Liana: O nosso papel é mostrar a realidade que muitas vezes é velada dos olhos da maioria pelo próprio senso comum e racismo. As pessoas procuram não enxergar esse quadro para não ter que confrontá-lo. E achamos isso essencial. Deve-se desconstruir ideias erradas veiculadas pela própria grande mídia, que muitas vezes molda e cristaliza comportamentos.

Jussara: ... porque em briga de marido e mulher se mete a colher sim! Porque tem alguém sofrendo com isso!


Fiquem ligados neurônicos, em breve, imagens do ato e mais material exclusivo!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Semana de Conscientização Pela Não Violência Contra a Mulher

Imagem: Coletivo Dente de Leão

A brutalidade contra a mulher é, infelizmente, secular. Agressões físicas, psicológicas e sexuais - ainda que veladas - se perpetuam na sociedade, ancoradas por ideais machistas que insistem em colocar o gênero como fator de segregação.

Apesar dessa vergonhosa realidade, esforços significativos têm contribuido para redução das barreiras que cercam o sexo feminino na vida em coletividade. Um exemplo é a resolução da ONU - Organização das Nações Unidas -, de 1999, que estabeleceu o dia 25 de novembro como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência às Mulheres.

Por todo o país, ao longo desta semana, muitas iniciativas em torno desse tema tomam corpo e voz, e é em apoio a uma delas que acontece na capital paranaense que o Sistema Muito Nervoso convoca a todos os Neurônicos a se manifestarem em prol de uma sociedade mais igual e livre de preconceito.

O Coletivo Dente de Leão organiza, para o próximo dia 24, um Ato Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, que ocorrerá nos moldes de uma Flashmob, na Boca Maldita, em Curitiba, a partir das 10h30.

Os interessados em integrar a manifestação podem entrar em contato com a organização do ato via Facebook cujo link está aqui ou pelo e-mail www.dentedeleaopr@gmail.com

O Sistema Muito Nervoso vai oferecer cobertura completa do evento, com fotos, vídeos e entrevistas. Aguardem!

Porque Neurônio Bom é Neurônio Ativo!          

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Trilhando...

Essa mania de ler biografias. Essa mania de vestir os óculos dos grandes homens. Comungar de letras, de sons, matizes, sorrisos e lágrimas cosidas de modo a tecer o brilho do intelecto dos gigantes em cujos ombros teimamos em nos apoiar...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crítica: Agonia - Os Últimos Instantes de Um Suicída

A proposta da montagem seduz logo de cara. Um drama psicológico onde o público é convidado a mergulhar na mente de um anti-herói, um indivíduo que, por razões profundas e nebulosas, vê na morte o único bálsamo para seu sofrimento.

Quais as agruras que torturam sua alma? Quais as circunstâncias que o impulsionam a esse covarde desfecho? A morte é mesmo a única saída? Eram essas as perguntas que pululavam nas mentes dos espectadores da peça, exibida no último domingo (11), no Teatro Reikrauss Benemond, em Curitiba, antes do terceiro sinal.

O impacto inicial é bastante positivo. A "cor local" da trama encontra-se amparada em diversos recursos tecnologicos de projeção e áudio que em muito colaboram para sustentá-la, facilitando a imersão imediata do espectador.

O preâmbulo da trama é projetado em uma tela postada entre a platéia e o ator ja em cena, de modo que os dois discursos coexistem e se complementam. As imagens virtuais respondem, de pronto, a uma das questões levantadas: Sim... para este personagem, a morte é inevitável.

Mesmo de posse desta informação precoce, as dúvidas que envolvem o quadro sustentam a atenção do espectador. Deste modo, a tensão do público - traduzida em profundo silêncio - é palpável, enquanto o protagonista Erick Andrade abandona-se em uma cadeira.

Entra então em cena uma espécie de representação do id autodestrutivo do protagonista - representado pelo ator Treat Serpa. Figura que busca oscilar entre o sofisticado e o burlesco, incita a reflexão na mente do suicida e escarnece da inércia em que o mesmo se deixa estar.

Falta, no entanto, uma acidez mais acentuada (e necessária) em sua atuação, que tropeça também no exagero de gestos e entonações vocais, não consolidando o sarcásmo que em outros momentos tenta atribuir ao seu personagem.

O texto prima por uma linguagem poética porém sem muito brilhantismo. Conduzindo a algumas conclusões que beiram ao lugar-comum, deixa também demasiadamente implícitas as motivações do ato de suicídio, o que nos parece imperdoável, visto que essa é a principal questão que o público esperava ver respondida.

O trabalho de ambientação e a interpretação impecável do ator principal, imerso verdadeiramente no sofrimento de sua personagem, são os principais trunfos do espetáculo. Considerando que o teatro é - sempre - uma obra em construção, reforçar esses pontos talvez seja a resposta para que a peça ganhe o teor de dramaticidade que deveria ter.

Teaser



         
         

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Tôtatiando - A Música da Palavra




"Aquele que domina a fala, a palavra... É capaz de fazer música"


Quando Zélia Duncan disse a frase acima em meio ao show Tôtatiando, realizado no último sábado (10) em Curitiba, foi como um recado a todos aqueles que ocupavam as cadeiras do Guairinha: hoje, a estrela é a palavra.

Em um espetáculo que flerta deliciosamente com a linguagem teatral, Duncan dá corpo e voz à personagens criados a partir da obra do compositor e linguista Luiz Tatit.Com a direção da atriz Regina Braga, no palco o que se vê é um delicado jogo entre o extraordinário leque semântico da obra de Tatit e a sonorização única da voz da cantora que, extremamente à vontade em cena, trova cada nuance, cada expressão.

Trocas suavez de figurino muitas vezes significavam alterações profundas de postura, de emoção, de entonação nas sílabas da canção/poema/texto que se seguiria. Se para falar de sonho abriu a gaveta da lembrança e transformou o teatro em um céu de estrelas, vestiu sapatos lúdicos para expressar alegria em "Rodopio".

Desde o conflito singelo de "Haikai" até mesmo a felicidade sem sentido de Vera apaixonada, estavam em versos e cantos expressas diversas situações de alcance universal que, na interpretação da artista, tiraram inumeros aplausos do maravilhado público.

Em suma, o espetáculo foi uma espécie de ciclo... Ciclo este que, como aprovaria Tatit, principiou-se pelo meio para ir-se acabar na letra de "Essa é pra acabar", deixando o público em súplica por mais uma, duas, três horas dessa poesia cantada. Pois quando Zélia Duncan agradeceu aos presentes pela vinda ao teatro, os lamentos mostraram o tamanho do encantamento que invadiu os corações.






domingo, 11 de novembro de 2012

Le Des Filles Fantastiques: Uma Intervenção da Moda na Vida Ubana



Em plena Virada Cultural de Curitiba um desfile de moda. Desconexo? Não se a gente disser que ao mesmo tempo em que as modelos desfilavam seus looks - em uma passarela mais que independente - rolava também uma jam que reunia grandes nomes da cena rock local.

Inovador? A galera que transitava pela rua em frente ao atelier Garage, da estilista Lisa Simpson, no último domingo, em Curitiba, também achou. Em poucos minutos de desfile, a Av. Jaime Reis 278 já estava tomada de alternativos (ou não) que apreciavam as criações desconstruídas da design de moda, ao som de um coletivo de artistas formado por integrantes das bandas Uh La La e Audac.

Apoiadora - e uma das idealizadoras do evento - Michelle Kelly, proprietária do Lolitas Salon de Coiffure, afirma que "todas as formas de arte se conversam entre si", e que, a exemplo do que acontece em Londres, onde esteve recentemente, "música e moda devem passar a fazer parte da cultura cotidiana das pessoas no Brasil, pois expressam o contexto histórico de cada época e representam formas livres e independentes de manifestação."

Outro aspecto singular do evento é a experimentação sonora de elementos presentes na atmosfera da moda para oferecer maior conexão com a música. Foi com isso em mente que Cassiano Fagundes, músico, guitarrista e responsável pela amplificação e equalização do áudio do desfile, revela que a eletrificação de uma máquina de costura foi uma das alternativas para compor a ambientação, e que esta é uma iniciativa em constante transformação, pois rola muito improviso, o que faz de cada apresentação única.

Durante os dois dias de Virada Cultural em Curitiba, vários locais foram palcos de desfiles semelhantes, oferecendo uma espécie de "virada paralela" por onde passaram nomes como Só o Soul Salva, Vinil Velho, Skadophenia Sound System, Chuva entre outros, fazendo um som ao mesmo tempo em que rolava um bazar de roupas e customização de peças em tempo real.  

 Você pode acessar o perfil do projeto no facebook aqui

Álbum completo de fotos do evento aqui        

Fotos: Aline Maria   

terça-feira, 6 de novembro de 2012

31 de outubro? Festa do Saci

Texto originalmente publicado no Blog do Caderno G do jornal Gazeta do Povo
Link aqui




Na última quinta-feira, 31 de outubro, comemorou-se mundo afora – principalmente nos Estados Unidos -- o Halloween, tradicional festa que celebra a véspera do Dia de Todos os Santos. Durante o evento, é costume, principalmente entre as crianças, pedir doces e vestir fantasias para “afugentar os espíritos” que, segundo a crença vinda do folclore Celta, vagam livremente durante esta noite especial. No Brasil, onde é conhecido como “Dia das Bruxas”, o evento vem ganhando popularidade ano a ano.

O que poucos sabem é que na mesma data se comemora do Dia do Saci-Pererê, uma das mais importantes figuras do folclore brasileiro. Representada por um menino negro e travesso, todos sabem: o saci tem apenas uma perna, fuma cachimbo e usa capuz vermelho. Foi com o intuito de reavivar e reverenciar essa tradição genuinamente brasileira que a comunidade umbandista da Associação Espiritualista Zélio Fernandino de Morais - Terreiro de Umbanda Caboclo Tupinambá - CECATU organizou o evento “Festa do Saci”, na sede temporária da entidade.

A festa, que também pretendia arrecadar fundos para a aquisição de uma cede própria para o CECATU, convidava o público a se fantasiar sim, mas dando preferencia para figuras que guardassem relação com a cultura brasileira. Segundo Bruno Klammer, um dos organizadores do evento, “há um enorme descaso com a cultura brasileira, com o folclore nacional, que é deixado de lado em face de uma celebração que é apenas plástica [o Halloween], mas que vende. Isso é o que explica o fato de quase a totalidade das pessoas não conhecer a comemoração do Dia do Saci”, lamenta.

Como não poderia deixar de ser, vários outros elementos da cultura brasileira compuseram o clima do evento. A banda Síncope trouxe sonoridades experimentais, com músicas autorais, e a banda Paranambuco, especializada em clássicos de ritmos regionais como o forró e a música baiana, subiram ao palco para animar a noite dos que ocupavam a pista de dança. Klammer também fala desta pluralidade de manifestações culturais dentro da Festa do Saci: “A nossa bandeira, além do trabalho social do próprio terreiro, é revelar tudo o que tem de belo no Brasil, música brasileira, dança brasileira, vestimenta brasileira. As nossas raízes precisam ser valorizadas pra auxiliar o país a crescer”, explica.

Tanto o Halloween quanto a Festa do Saci refletem, a seu modo, aspectos fundamentais dos povos que os preservam, sendo este talvez o maior ponto em comum entre os dois eventos. A questão mais importante talvez seja a da importância de preservar os aspectos que identificam um povo e garantam a ele sua unidade essencial, pois é ela que deve sobreviver aos anos e transfigurar-se em tradição.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Caguei Para... Yoko Ono (e Paul McCartney)

Hey you!

Bora comentar daquele jeitinho todo especial a sublime declaração do Sir. McCartney:

"A Yoko Ono, certamente, não foi responsável pelo fim do grupo. Não acho que podemos culpá-la de nada"


Ok, em que ano estamos mesmo? É sério que ainda estamos dando voltas em torno do rabo para responsabilizar alguém pelo fim dos Beatles? Concordo que The Beatles foi/é uma das bandas mais influentes e importantes da história da música, e que eles ainda fazem a vibe de muitos cabeludos, ex-cabeludos e "imaginers" for all this fuckin' globe (inclusive a minha).

Mas o que me trinca as bolas é perceber que uma galera AINDA sente essa necessidade de colocar a "culpa" nas costas de alguém da maneira mais infantil da galáxia. 

Se você é mesmo fã dos Beatles deve saber muito bem como era o temperamento do John... Um cara libertário, extremamente criativo e que obviamente mais cedo ou mais tarde ia querer experimentar caminhos musicais (e de vida) diferentes... that's life! 

Se a Yoko contribuiu ou não para o fim da banda, honestamente, caguei... O que importa mesmo é que há um puta legado a ser reverenciado... Sir. McCartney continua botando a roda pra girar (da música e da fortuna), Ringo idem... e, é isso... Let the black bird keep flying! 

Fonte: whiplash.com      

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Somos todos Guarani-Kaiowá



Neurônicos Guarani-Kaiowás

Sério galera, a gente sabe que o Sistema Muito Nervoso de vocês se projeta nas mais distintas direções. Que vocês, assim como nós, se interessam pelos mais diferentes assuntos... ainda mais quando o assunto em questão tem relação com lutar pelo que é justo!

É por isso que o Sistema Muito Nervoso convida vocês a integrarem a luta contra o extermínio dos índios da Tribo Guarani-Kaiowá, uma das mais importantes (e belas) etnias indígenas do Mato Grosso do Sul.

A disputa por terras envolvendo esse povo há muito existe naquela região, fazendeiros inescrupulosos invadem o território natural indígena obrigando-os a lutar (de forma desigual) pela retomada e colocar em risco a vida de seus integrantes.

Recentemente, uma carta Guaraní-Kaiowá caiu na rede onde os indígenas relatam a situação de medo e desesperança em que se encontram. Acossados por fazendeiros vizinhos, com comida parca e sem perspectiva, os próprios índios projetavam sua morte iminente.

Esse quadro, que gera pouca repercussão na grande mídia, tem sido, no entanto, o estopim de grandes mobilizações populares que, saindo do espaço virtual, ganham força para ir às ruas.

Se você concorda que falta muito para que o Brasil seja de fato um "país de todos", e que justiça para os Guaranis-Kaiowás pode (e deve) ser traduzida na devolução das terras onde viveram seus antepassados, onde seu coração habita... faça sua parte! Junte-se a nós!


 Evento Nacional em defesa do povo Guarani-Kaiowá no facebook aqui



      

Caguei para...

 Salve neurônicos!!

 Hoje a gente abre uma sessão nova aqui no Sistema Muito Nervoso: 

O mundo da música (e das artes) diariamente nos presenteia com pérolas que realmente mudam a nossa vida para sempre... #sóquenão 

E é para comentar essas notícias que vai servir o Caguei para... 



Axel Rose dá sua primeira entrevista televisiva ao vivo em 20 anos...


... e o que se viu foi alguém que parece ter engolido três clones mal-feitos de si mesmo desde os anos 90, tentando deixar pra trás um ostracismo de duas décadas...
Caguei, próximo!

Quebrando o silêncio

 

E parece que os gigantes acordaram!

Bora colocar o Sistema Muito Nervoso pra funcionar de novo! Sinapses sobre controle por aqui? Não? Ótimo. Vamos então ao que interessa...


O AEROSMITH - que andava meio sonolento nos últimos tempos - parece ter resolvido encerrar o período de hibernação e colocar as cordas pra vibrar. O fãs, órfãos de um disco de estúdio da banda desde 2001, têm recebido doses à conta-gotas de material inédito que vai compor o álbum From Another Dimension, previsto pra chegar às lojas dia 6 de novembro.

As PREMIERES já renderam dois clipes novos e músicas fresquinhas pra enlouquecer os nossos neurônios. Tá afim de conferir? Keep on movin'

Legendery Child



What Could Have Been Love


Áudio

Out Go The Lights

Oh Yeah

Beautyfull

Tell Me



... e promete mais... See ya!


sábado, 20 de outubro de 2012

Espetáculo Habitat do Som

"... Do Coração Aos Poros, Dos Poros Ao Chão!" 


Éramos poucos os que saímos à rua na noite de ontem, na capital paranaense. Nem o clima agradável de uma noite típica de primavera parecia mais sedutor do que a resposta à pergunta: "Quem matou Max?" ou mesmo o desfecho da vilã Carminha, no folhetim das 9.

Aqueles que optaram porém por dar um significado maior às suas vidas e fazerem-se presentes na plateia do espetáculo de dança Habitat do Som - Do Coração Aos Poros, Dos Poros Ao Chão, em cartaz na Casa Hoffmann desde o início da semana, de forma alguma sentiram-se perdendo.

A obra, inspirada em montagem americana, traz uma linguagem contemporânea para o sapateado enquanto expressão artística, instigando o questionamento sobre qual seria o limiar (ou mesmo "se" existe um) entre seu posicionamento como dança ou música em si.

Para criar essa atmosfera então, o espetáculo é estruturado em dois momentos distintos. No primeiro, há uma ambivalência do som, onde a movimentação dos artistas pode apenas ser deduzida, sendo perceptível somente a ressonância produzida por suas evoluções, tendo o próprio espaço físico como um dos "instrumentos".

Uma vez assumido o palco, o elenco dá corpo ao prisma imagético do espetáculo, evidenciando a dança propriamente como elemento artístico porém sem abandonar a interação com o espaço físico, buscando novas interpretações para sons e ritmo e tempos dentro da obra. Há também a busca pela fluidez do movimento, em contraste com a exatidão rítmica, cuja função é sustentar a harmonia entre os artistas.

Outro ponto a ser salientado é a busca pela sintonia com o público, tornando-o parte do espetáculo na medida em que, seguindo o comando dos artistas, participa ativamente na consolidação sonora do climax. Uma experiência cujo sentido mais forte é o de proximidade com a arte, transformando plateia, palco e elenco em apenas um ente capaz de transcender paradigmas e transfigurar a atmosfera do instante no verdadeiro habitat do som.

Serviço:

Espetáculo: Habitat do Som - Do Coração Aos Poros, Dos Poros Ao Chão
Local: Casa Hoffmann - R. Claudino dos Santos, 58, São Francisco
Data: 20 de Outubro,  às 20h - última apresentação
Elenco: Hany Morgenstern, Sharon Morgenstern e Luan de Rosa e Souza
Ingressos: Entrada gratuita  


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Press Start: II Taça Chico Buarque de Allejo


A galera do Defenestrando - um blog top que reúne tudo que você PRECISA ouvir do que rola de novo no cenário da música curitibana, paranaense e... da galáxia - tá organizando um evento que vai deixar os gamers old school de Curitiba com lágrimas nos olhos...

Trata-se da II Taça Chico Buarque de Allejo, evento inspirado no saudoso Rockgol - da MTV - onde oito bandas locais vão se embuir de técnica, tática e controles de Snes (Super Nintendo) para pelear no certame a ser realizado neste sábado na Galeria Lúdica. Ingressos a R$ 3.

As equipes dessa edição são:

Com a palavra, Matheus Chequim, um dos organizadores, sobre como surgiu e o que esperar do evento:
"Não me lembro ao certo como surgiu essa ideia de fazer a Taça Allejo. Na primeira vez, fizemos uma edição "piloto", no salão de festas do prédio, só pra ver se ia mesmo dar certo. De tão legal que foi o evento, resolvemos repeti-lo, agora em um bar, aberto ao público. Tudo aconteceu entre eu, o Felipe Gollnick (defenestrando) e um terceiro amigo chamado Mateus Ribeirete, que idealizou um site que nós colaboramos, o Lado B do Futebol. 
A Taça acompanha justamente a ideia do Lado B do Futebol, que se propõe a falar de futebol e música, mas dentro do mesmo tema. Por exemplo, contar a relação entre o Casagrande e Jim Morrison, o envolvimento de Rooney com a banda Stereophonics ou até alguma relação metafórica bizarra entre bandas e esquemas táticos igualmente moderninhos. O Lado B do Futebol surgiu da nossa angústia de ter amigos que gostam apenas de futebol, e outros que curtem apenas música, enquanto pouquíssimos acompanham os dois com igual fanatismo, assim como nós. 
Por isso, o nome da Taça homenageia um grande ícone da música e um grande ídolo do futebol. A Taça Allejo é uma forma de celebrar este espírito"

Amostra grátis


Todo mundo que tiver o Sistema Muito Nervoso tem que conferir essa


Serviço:

II Taça Chico Buarque de Allejo
Data: 20 de outubro
Local: Galeria Lúdica - R. Inácio Lustosa, 367, São Francisco
Ingressos: R$ 3 
   
   

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

CORNHOLIO!!!

The 90's rules!

"Onde está a explosão? 
Eles nunca mostram as coisas boas..."

Beaves and Butthead é uma das coisas mais legais que rolavam nos insanos anos 90... Com palavrões, gatas e Rock and Roll!!! E hoje é o dia de comemorar o aniversario do maior bunghole de todos: Mike Judge o roteirista (e ator, e produtor...) responsável pela criação da série. 

Cerveja, um sofá e muito heavy metal na festa de 63 anos dessa lenda!!!

  

  
Segue uma das participações da dupla que o Sistema Muito Nervoso mais curte (comentários):



 

Amostra grátis

 
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Jeito Felindie - Swing "moderninho"

Quem não curte a releitura de um bom clássico?

Pois é... As sinapses do nosso Sistema Muito Nervoso estão frenéticas até agora desde que a gente ouviu essa pérola!

Seguinte, o jornalista Jorge Wagner desponibilizou no site Fita Bruta uma coletânia muito bem-humorada - Jeito Felindie - que reúne versões revitalizadas de canções do famoso grupo de pagode dos anos 80 Raça Negra 

Ouve ae e comenta

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

... e as pedras continuam rolando!

Quantas bandas vocês conhecem que podem dizer a plenos pulmões: "São 50 anos de Rock'n'Roll, de estrada... E no topo" (?)

Pois é neurônicos, a maior delas - O Rolling Stones - não só continua na ativa mas produzindo com a mesma qualidade! Como parte das comemorações pelos 50 anos de pedras rolando, os caras pretendem dar aos fas uma coletânia com a cereja da cereja do bolo: o albúm GRRR! (isso mesmo)

Bora ouvir então a faixa “Doom and Gloom” que acaba de cair na rede! Será que pedras ainda vão rolar?



   

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Serj Tankian - ORCA



Sintam a corrente elétrica... Hora de religar os neurônios!

Vocês já devem ter percebido que a galera do Sistema Muito Nervoso é muito fã do Serj Tankian - o multiartista que "eventualmente" é vocalista do System of a Down

Isso porque esse indivíduo é um dos caras mais prolíficos da música atualmente. Tendo recém lançado um novo albúm de estúdio chamado Harakiri, Tankian já vem a público para lançar novas informações a respeito de seu (mais) novo projeto - ORCA’ Symphony Plea


Serj já flerta com a música clássica há algum tempo, tendo, inclusive, lançado em sua carreira solo um albúm conjunto com a Auckland Philharmonia Orchestra em que trazia arranjos orquestrados para as canções de seu primeiro trabalho solo: o Elect The Dead Symphony (que é fodástico)

Agora o passo é muito maior. O excêntrico (e genial) artísta prepara a composição de sua primeira sinfonia completa. Com a palavra, Serj Tankian - aqui



  

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Iron Fist (live) - Clipe novo Mötorhead

Foto: Robert John 


Salve neurônicos em fúria!

Hoje o dia começa com uma big fuckin' good news! Que o Mötorhead tá preparando o The Wörld Is Ours – Vol 2: Anyplace Crazy As Anywhere Else - um DVD ao vivo para ser lançado dia 22 deste mês, incluindo cenas gravadas no último Rock in Rio (no Brasil), isso vocês já devem saber. A novidade é que caiu na rede o clipe de Iron Fist (live) que faz parte de projeto

E, é lógico que você pode conferir aqui

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nossas sinapses agradecem: Gary Clark Jr.

Então, a busca por aquele som que faça seus neurônios pirarem é infinita galera! E hoje, o Sistema Muito Nervoso apresenta Gary Clark Jr.

O cara é guitarrista e ator, nasceu no texas - mais precisamente em Austin - e depois de já ter tocado no Crossroads Guitar Festival, no mesmo palco em que se apresentaram Eric Clapton, John Mayer e ZZ Top, além de ter feito os vocais na faixa bônus I want You Back (cover do Jackson 5) no album de Sheryl Crow - 100 miles from Manphis, lança seu primeiro trabalho solo

Eis então a músca de trabalho de Blak and Blu



  

Nightwish - Floor Jansen

Saudações!

Para os neurônicos que, assim como eu estavam muito afim de ver como a nova vocalista Floor Jansen (delícia) se sairia à frente do Nightwish, a espera acabou. Caiu na rede um vídeo de 22 min. com a moçoila on stage e, é claro, não tem como não postar essa pérola por aqui...

Tire sua sombra pra dançar...

    

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Na presença do Rei



Quando um rei pisa o solo da sua cidade após seis anos da última visita não há como conter a ansiedade. Os fãs de blues da capital paranaense que estiveram no Teatro Guaíra, na última terça-feira (02),  se deleitaram ao som do canto de Lucille,  gentilmente comandado pela elegância do maior bluesman da história: Mr. B. B. King

Como é de praxe, a corte faz as primeiras honras. E foi com esse papel que a Big Time Orquestra subiu ao palco para "estender o tapete vermelho". Porém, por mais que o vocalista Zorba Mestre tentasse buscar certo nível de conexão com o públco, amparado por uma performance empolgada - e de boa qualidade - de seus instrumentistas, a noite era mesmo de Vossa Majestade e, para alguns, cada segundo do pocket show da Orquestra não era mais que um prato de entrada servido frio se comparado com o menu principal

Após cinco ou seis canções, a Orquestra deixa o palco e devolve a si mesma à condição de súdito. É quando já é possível observar alguns dos mais valorosos escudeiros do King solando divinamente - cada um a seu tempo - instrumentos que carregam em cada válvula, em cada corda, em cada prato ou tom nuances nascidas de anos dedicados à (boa) música

Uma vez maravilhado o público, Sua Alteza Riley Ben King assume o trono, intensamente reverenciado. Os seus primeiros cumprimentos se transfiguram em algumas notas fluidas e perfeitamente ritmadas, fruto de uma cumplicidade naturalmente suave - e de muitos anos - com sua Gibson ES-355 named Lucille

Os mesmos ouvidos extasiados pelos acordes pincelados e improvisações perfeitas em Thrill is Gone encontraram singeleza e empatia na voz de King durante You are My Sunshine, quando quis trazer o público para perto de si, pedindo coro no refrão da canção (com direito à contagem em português).

Empatia talvez tenha sido o traço mais marcante da apresentação realizada em Curitiba. Enquanto musicalmente ancorado por uma banda de apoio de excelente qualidade, King postou-se como uma espécie de cicerone, de "amigo de conversa na varanda" trazendo ao palco a mesma leveza dos ventos do Mississipi - his hometown - e o sorriso matreiro de quem sabe muito bem como ganhar o amor (as vezes expresso aos berros) de um público que, em sua maioria mesmo sem entender suas piadas, esteve o tempo todo aos pés da lenda.

Abaixo o link do video da apresentação veículado no site da Gazeta do Povo


     

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Leão Britânico



British Lion, para aqueles de neurônios levemente sossegados, é o nome do projeto paralelo do baixista do Iron Maiden, Steve Harris.

Um projeto bastante recente que acaba de render seu primeiro clipe aos fãs... This is My God é a faixa escolhida para o vídeo e você pode conferir aqui

E aí, os fãs de Iron curtiram?

Nossas sinapses agradecem: Bad Rabbits

Hoje o Sistema Muito Nervoso acordou com um groove especial!

Bad Rabbits é uma banda que faz uma mescla muito estilosa de diversos estilos. A bateria marcando os tempos sobre uma base feita eletronicamente, até entrar o vocal agudo bastante harmônico com o conjunto. O resultado é uma versão hipe de um som que lembra  nomes como Cool and the Gang, e outros da Disco dos anos 60

O que acham?

     

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Lolla 2013

E a notícia que tá fazendo os neurônios do mundo da música fervilhar é a divulgação do Line-up do Lollapalooza Brasil 2013!

  
O Sistema Muito Nervoso acha insano que no mesmo palco estejam Pearl Jam, The Black Keys e Queen of The Stone Age mas, sinceramente, a galera acha justo R$ 900 por um passe para os três dias? Algo de mercenário no ar, não? Enfim, isso é Bra"z"il...

Video promocional

 

Floor Jansen assume vocal do Nightwish

E o vocal de uma das maiores bandas góticas da história tem novo nome - e olhos azuis. Floor Jansen (ex-After Forever, ReVamp) assume o lugar de Anette Olsen que, por sua vez, substituiu a lendária Tarja Turunen.

Será que ela segura o onda?

 

sábado, 29 de setembro de 2012

Nossas sinapses agradecem: Alabama Shakes

Descobrir algo novo é o que realmente faz nossas ondas cerebrais enlouquecerem. Quem acompanha este blog sabe que por aqui som novo fervilha todos os dias e, hoje, a banda americana Alabama Shakes é o que está tirando nossos neurônios pra dançar

O trio, formado por um misto de colegas de faculdade com um cara que apenas estava no lugar certo na hora certa, conta com vozes e guitarra de Brittany Howard, o baixo de alternativo de Zac Cockrell e a batera de Steve Johnson, resultando em músicas que têm em sua essência desde David Bowie até Punk Rock, até que Justin Cage trouxe o som do órgão que faltava.

Go and Play!


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

99 percent...

Ocuppy Wallstreet é talvez o movimento social de protesto por redução das desigualdades sociais através da redistribuição de renda mais notório e por isso "bem-sucedido" dos últimos anos.

Apesar de alguns revezes sofridos, como o incidente do Zuccotti Park, o movimento continua a se ramificar e angariar apoios de peso. Tom Morello (RATM), Serj Tankian (S.O.A.D.) e Tim McIlrath (Rise Against) parecem ter entrado de cabeça no apoio aos manifestos, os três entraram em parceria para uma canção que promete inflamar as multidões.

Ouça aqui

Muito além do Racional

Como parte das comemorações pelo 70º aniversário do maior nome do soul/funky brasileiro, uma nova coletânia traz material inédito de Tim Maia, e você pode ouvir aqui


Agonia...




"Os últimos instantes de um suicída..."


Aguardem

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Crítica - Nervo Craniano Zero


Imagem disponível no site oficial: http://nervocranianozero.com/


O frio que pairava na noite da última quarta-feira (26) em Curitiba em nada tinha a ver com o clima experimentado pelos espectadores do filme Nervo Craniano Zero, do diretor Paulo Biscaia Filho, exibido com alto teor de morna sanguinolência e interatividade, no palco do Guairinha.

Contextualizada por uma trilha jocosamente oitentista, a obra oferece ao público uma cínica (e cênica) experiência de ampliação da sensação de imersão, alcançada por uma excelente manipulação de metalinguagem.

Através de um processo híbrido entre cinematografia e atuação teatral - denominado Encena-Ação - o longa/montagem acompanha o inescrupuloso plano da escritora Bruna Block, cujo objetivo é levar "suas" publicações ao topo da lista dos Best-sallers a qualquer custo. Utilizando a seu favor os estudos de indução à criatividade do neurocirurgião Dr. Bartholomeu Bava, Block alicia a jovem ingênua e interiorana Cristi como cobaia para a implantação de um chip cerebral que através de descargas de dopamina gera surtos de inspiração. É a partir dessas bases que a história se desenvolve.

Prodigiosa também - talvez mais que a trama até - é a interpretação das atrizes Guenia Lemos (Bruna Block) e Uyara Torrente (Cristi) que, com seus personagens diametralmente delimitados, são capazes de conferir às cenas em que dividem o foco um caráter de comicidade desconcertantemente irônica, ancorada em diálogos incisivos e enxutos, o que contribui enormemente para a fluidez com que a obra conversa com a linguagem dos quadrinhos, mantendo uma característica marcante da obra de Biscaia Filho.

Essa interrelação com os quadrinhos está muito presente na "cor local" de toda a obra, na medida em que ela está impregnada no argumento para os pontos de giro, muitas das sequências non sense e até mesmo na dinâmica da atuação teatral verificada no preâmbulo da montagem. O desfecho, que poderia sinalizar para a típica completude da jornada do herói, onde a moça retorna triunfante para gozar seus louros, oferece ainda uma surpresa condizente com a atmosfera ácida da produção.

No palco, a interatividade ganha cores, sons e... Melpomene!

Se o leitor considerar seus nervos cranianos fortes o suficiente, vale a pena pô-los em teste na segunda apresentação:

Trailler





Serviço:

Data: 27 de setembro
Local: Teatro Guaíra – Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha), Rua XV de Novembro, 971
Horário: 20h30
Ingressos: R$ 14,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia). Venda antecipada na bilheteria do teatro e no site www.teatroguaira.pr.gov.br
Informações: 3304-7961   

  
        

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carpinteiro (do meu) universo...

Talvez a culpada seja aquela fita cassete amarela onde o Rauzito dizia - para os meus tenros (e deslumbrados) ouvidos de 5 ou 6 aninhos - que ele estava "sempre tentando cortar o cabelo de alguém..." Então, depois de repetir e carregar seus ensinamentos por toda uma vida, vejo que também eu estou sempre deixando a luz do quarto acesa pra que ninguém tropece na escada.

Tenho a dizer que muitas vezes a direção do trem não muda mesmo, por mais que nos esforcemos... Tenho a dizer que, no final, é isso: algumas coisas são porque são... Porque é essa sua natureza...

As vezes, me vejo imerso em um esforço intenso pelo respeito, admiração, amizade de alguns... E a resposta? Vem na mesma intensidade da força porém na direção oposta - Ave Newton! É o meu tempo se esvaindo no trabalho de formas e contornos de universos alheios.

Há muitas arestas ainda em meu próprio universo. Há muito de mim mesmo a ser polido, acabado...

E mesmo que meu egoísmo não seja assim tão egoísta penso que seja bom não esperar dos outros a mesma atenção que lhes dispenso.
  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Argumento Forte

Sei bem que meu interesse pelos rumos políticos deste país - e pela própria política em si - é relativamente recente e, com isso posso dizer, seguramente, que ainda há muito a conhecer antes que possa considerar meu nível de entendimento acerca das questões que a envolvem como sendo o ideal, ou mesmo próximo disso.

O que já sei, no entanto, do alto da maturidade que meus míseros "vinte e poucos anos" me conferem, é que o juízo de valor em torno de qualquer argumento depende dos referenciais de quem o avalia. E uma vez compartilhadas (ou não) as bases sobre as quais o argumento se alicerça, há um acordo com relação à relevância do mesmo.

E é tendo isso em mente que sustento o argumento de não reafirmar através do meu voto a liderança, em minha cidade, de um partido que, sobre os ombros, carrega a responsabilidade do maior encândalo de desvio de verbas públicas e compra de apoio político já esquematizado na história deste país.

Ainda que esta prática seja (vergonhosamente) recorrente - e que não tenha sido iniciada na gestão em questão - os parlamentares da base, que na época gozavam de plenos poderes para extirpar essa distorção, optaram por corroborar (e mais ainda potencializar) com a conduta, de modo que tanto os gestores anteriores quanto os atuais estão errados.

Se durante a conversa de ontem a debilidade do meu argumento foi exposta no ponto onde desconsiderava que, dentre os partidos existentes, o da situação é - proporcionalmente -  o "menos corrupto" o que me resta dizer é que a minha posição se alicerça sobre uma base muito mais moral que política (no sentido ruim da palavra), podendo ser traduzida em uma premissa muito simples que trago de casa:



Não existe "Meia-Justiça"





            

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Petit Mort - O Orgasmo da Caixa-Preta II

O Nascimento

Gritos em foice rasgam a canção
A natureza carnal da arte oferece
O limiar de uma nova vida

O vinho metamorfoseado em sangue...

Expulso, paradoxalmente, entro... 

Morto e (re)nato para um universo particular...

 Segunda ruptura...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Melinyë tirië hendulyar silina írë lálalyë

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Petit Mort - O orgasmo da Caixa-Preta I

A série de posts é uma pequena homenagem inspirada na obra do ator e diretor Alieksei Machinski denominada "Petit Mort". Uma das produções teatrais mais intensas que tive o privilégio de assistir:

Prólogo

O chapéu preto do opulento menestrel oferece os primeiros cumprimentos;
O cigarro equilibrando-se entre as letras da saudação.

Na antessala do cubo, verdes os sofás...
Abundando a elite da contra-elite.

Vinho e música,
Eu, seduzido...
Tupi or not Tupi.

Pés de ninfas
Asas de anjo
Rostos em flor


Ondulam-se corpos e cordas

Primeira ruptura!
 
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Um café (e a Moça Urbana)

Atrasado.
Sou todo desculpas...
Um brownie e um café sobre a mesa.

Um abraço.
Mais desculpas...
Culpo a loucura da vida urbana
(penso que ninguém melhor entenderia).

São outros olhos.
- Pensei que perderíamos você para
o charme de Buenos Aires - disse
E muito dele trouxe consigo - pensei.

Pessoas andinas (ou não)
Cafés andinos
Livros andinos
... e Neruda pulou (intrometido) na mesa...

Sorriu algumas vezes...

Eu quis saber das lembranças
Ouvi dos amores
Dos planos
Da família.

E, além das letras
Admirei a força
A maturidade
A altivez que antes apenas podia supor...

Uma cerveja artesanal.
Duas, e um pouco de mim
Uma fagulha, diante do seu universo de mulher.

E ao café, o açúcar de cada instante...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Poeta Morto (ou O Mar de Domingo)

Um verso se derrama, plúmbico,
Em seu marasmo... Um jazer cotidiano.

Olhos de um desdém procrastinado
Cospem palavras cinzentas
No céu da primavera.

Já o marulhar não lhe eleva o espírito.
O corpo abandonado no cais
É ébrio barco ancorado em lembranças.

...

E o poeta morto espera a mudança da lua
Para que o vento lhe traga de volta
O navegar de sua poesia.


terça-feira, 31 de julho de 2012

A Pollyanna que lhe falta

Há, crepitando em seu olhar, o fogo dos que amam o movimento. A inconformidade reluzente dos que cospem na cara do destino e o subjulgam em cada gesto que a vontade manifesta.

Muitas vezes, porém, a essência da mudança, que lhe é tão íntima, escorre pelos poros que a insegurança abre em teu espírito. Dissipando o púrpura compacto de tua energia em rosáceas - e debéis - matizes cheias de incredulidade.

Inspira os alísios suaves que lhe trazem suas conquistas. Oferece o infinito como meta a cada dom que te alicerça e, como deve ser...


 Extrai o que houver de bom em cada passo que decidires dar.



Para a grande amiga Aline Maria

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sob o Céu de Catalão I


(foto Dulce Carvalho)

Existem histórias que somente a estrada pode escrever. A lembrança dos laços que se criaram naquele "deserto verde" do interior de Goiás traz consigo cores, sabores, risos e entorpecências típicas do Cerrado.

Se na paisagem reinava a planitude infinita daquelas terras, deliciosamente sinuoso é o relevo das minhas reminiscências. A  primeira delas remete a um sono tão volátil quanto recompensador que, após um dia intenso de batalha em prol do verde da minha nação, partilhava com cerca de quarenta dos guerreiros mais valiosos com quem já reafirmei meus ideiais.

Na bagagem e no espírito, os espólios da maior manifestação em defesa do Código Florestal Brasileiro feita em Brasilia até então. Precisamente às 2h da manhã do dia 8 de março do ano corrente, o ônibus quebra em Catalão e, a partir desse ponto, o que ganhamos tornou-se inestimável...

No próximo post da série

Morning Sound



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Religiosa displicência

A crueza da vida há muito me ensinou a gotejar em cada gesto cotidiano microdoses de displicência. E, entre os espaços que surgem quando deixo de me preocupar com a perfeição, aproveito pra fazer o meu melhor... E sorrir!


quarta-feira, 18 de julho de 2012

... e aí vamos nós (de novo)

Sábado último. Estava em casa há cerca de meia hora - ou menos até - quando uma fonte sonora de tão má qualidade quanto intenção despeja no ar, sem nenhum tipo de consideração aos meus ovidos, um jingle porcamente produzido e propositalmente xarope para me lembrar que o "Candidato A" é a milagrosa solução para os problemas seculares da minha cidade. Os lalalás se misturam aos blablablás e pronto... Está revigorado meu asco pela espécie que mais procria indiscriminadamente no ambiente atual: "Políticus Oportunistus".

E eles vão... Caminhando e cantando e enchendo a nação. Inchando o processo democrático de promessas de perfumaria e discursos de porta de boteco. Comprando dentaduras e votos, segurando e beijando bebês classe média e obrigando você a ler mais um texto como esse, de indignação recorrente.

A cada quatro anos, preenchemos - forçosamente - os pratos da balança com a carne podre disponível, o que nos leva invariavelmente às opções: fé demais ou fé de menos. E pior... Como já vem se tornando praxe, a geração "sangue do meu sangue" engrossa o caldo e afina a esperança.

...

Na corrida por um salário milhardário, pouco importa se o "pobrema" é de saúde, saneamento, segurança ou... de Língua Portuguesa mesmo. Eu, que nunca antes olhei para além da minha confortável realidade, mostro os dentes (e outros atributos previamente selecionados) para que acreditem que, com seu voto, vocês transferem a um homem honrado o sagrado (?) dever de zelar pelos interesses de pessoas cujos rostos eu procuro evitar após o período de eleição...

E, antes que eu esqueça, meu número é...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Música e engajamento social

Projeto de incentivo à cultura local criado pela banda curitibana Haullys traz Champignon, baixista do Charlie Brown Jr., para um show hoje à noite no Empório São Francisco

Enrico Boschi (21/06/2012)





A música sempre demonstrou uma íntima relação com a transformação da realidade social. E quando se observam resultados extremamente positivos, como os do projeto desenvolvido pelo maestro João Carlos Martins, por exemplo, que leva a música erudita a crianças e jovens de comunidades carentes do Rio de Janeiro, oferecendo aos integrantes novas perspectivas de vida, não há como não reconhecer o quão frutífera é essa relação.

Foi também pensando em colaborar para o crescimento das comunidades do seu entrono que a banda curitibana Haullys, na ativa desde 2009, idealizou uma série de projetos interligados, cujos eixos principais são: projetar a cena artística curitibana – e paranaense – em nível nacional, promover a importância da convergência e o intercâmbio de diversas formas de manifestação artística e levar eventos artísticos a localidades que normalmente não têm acesso a eles, oferecendo canais de divulgação para a cultura local.

Segundo o vocalista Sandro Godinho, é extremamente importante trazer visibilidade à cena paranaense, visto que o estado é também um local de produção cultural de muita qualidade: “A gente [Haullys] acompanha tudo o que acontece na cena local e a nossa preocupação é muito mais do que fazer música, é levar qualidade cultural para as pessoas que não têm acesso, é trazer grandes artistas pra conhecer o que é nosso, pois sabemos que é possível transformar o Paraná em um estado de referência cultural, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo entre outros”, explica.

É com esse intuito que o projeto Haullys Convida já trouxe a Curitiba artistas como o vocalista Tico Santa Cruz (Detonautas Rock Clube), o baixista Canisso (Raimundos) e, na noite de hoje, recebe Champignon, baixista da banda Charlie Brown Jr. (confira no quadro ao lado a lista completa dos artistas que já participaram do projeto), para uma jam session que acontece no bar Empório São Francisco – nesta edição, serão apresentadas 15 canções, a maioria do repertório do Charlie Brown Jr. e algumas escolhidas de acordo com influências em comum entre o músico e a banda curitibana.

Convergência

Além dos shows, o projeto conta ainda com o quadro Haullys Entrevista, um bate-papo em que o artista convidado tem a oportunidade de expor sua opinião a respeito do projeto e do cenário cultural, que é filmado e exibido na página da banda no Facebook.
Está ainda em fase de produção a mais audaciosa das etapas do projeto, o Haullys Documentário, registro cinematográfico de uma série de apresentações gratuitas feitas em locais públicos de áreas afastadas, em parceria com atletas amadores de skate local e grafiteiros também da região. Aprovado pela Lei Rouanet, o projeto já conta com o apoio de uma empresa de turismo e um grupo de restaurantes.

Matéria originalmente publicada no Caderno G da Gazeta do Povo. Link: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1267274&tit=Musica-e-engajamento-social

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Um Fim de Semana na Rio + 20

Texto originalmente publicado no portal Gaz+ da Gazeta do povo

Um fim de semana na Rio + 20

Enrico Boschi

O mundo volta os olhos para a conferência da ONU para o desenvolvimento sustentável que ocorre no Brasil entre os dias 14 e 22 de junho. Em celebração aos vinte anos da Eco 92, a Rio +20 é composta por diversos eventos paralelos e simultâneos correlacionados que formam a densa agenda de debates, reflexões e propostas para a sustentabilidade. Por intermédio da SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem, nós, do grupo de debate e conscientização ambiental paranaense Ecoberrantes, tivemos a oportunidade de participar de alguns dos eventos, ocorridos entre os dias 16 e 17 de junho.

Cúpula dos povos
De todas as iniciativas que integram a conferência da ONU para o desenvolvimento sustentável, a Cúpula dos Povos é com certeza a que melhor aproxima a atmosfera de pluralidade que paira sobre o evento como um todo do cidadão. Caminhando por entre as centenas de tendas armadas no Aterro do Flamengo, interagem representantes de organizações ligadas à proteção e preservação ambiental, porta-vozes de organizações políticas ou da sociedade civil, disseminadores de iniciativas culturais, empresários interessados em soluções ambientalmente responsáveis para suas empresas, representantes de povos indígenas diversos, turistas de todas as partes do globo ou apenas aqueles que desejavam um passeio tendo a Baía de Guanabara como pano de fundo.

Em cada espaço da Cúpula, ocorrem debates autogestionados sobre temas sociais, políticos e ambientais inter-relacionados, de modo a contemplar os três pilares sobre os quais o evento foi concebido: denunciar as causas da crise socioambiental, apresentarmos soluções práticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo.

Foi o que se pode observar efetivamente, no último sábado (16), no estande onde se concentraram diversas organizações e personalidades atuantes na questão da resistência contra as mudanças do Código Florestal Brasileiro.

Alguns pontos foram unanimidade nos discursos, como o valor efetivo da preservação das florestas e dos instrumentos legais disponíveis para o freio do desmatamento, além da cobrança de posicionamentos firmes dos Chefes de Estado em prol da conservação ambiental, uma vez que participarão da Rio +20 para elaborar e votar propostas que culminarão no novo documento de compromisso das nações signatárias com os indicadores do que está sendo chamado de “economia verde” e com as Metas do Milênio.

Dialogue Days
Paralelamente à Cúpula dos Povos, os Dialogue Days fazem parte da agenda principal da Rio +20. Constituem-se em painéis temáticos com a participação de representantes da sociedade civil que após um debate elaboram propostas a serem enviadas aos chefes de Estado, como contribuição da parcela da sociedade que representam para o documento final da conferência.
Nossa delegação teve a oportunidade de participar do diálogo ocorrido no dia 17 de junho, que tinha como foco a preservação das florestas. Entre os panelistas estavam figuras como o CEO da Natura Cosméticos Guilherme Leal; a Doutora Yolanda Kakabadse, diretora da World Wide Fund for Nature (WWF); o Dr. Klaus Toepfer, fundador e diretor executivo do Institute for Advanced Sustainability Studies (IASS); além de diretor executivo de Meio Ambiente das Nações Unidas (1998-2006), entre outros.

De todas as falas, a que talvez tenha sido mais incisiva para o governo brasileiro foi a do alemão Toepfer, quando disse que os instrumentos de proteção consolidados em conferências e iniciativas anteriores – como a Eco 92 – não deveriam ser modificados, sob possibilidade de se retroceder em questões já anteriormente debatidas, o que levou à questionamentos sobre o Código Florestal Brasileiro.

Após essas e outras ponderações, os panelistas elaboraram dez propostas de artigos a serem enviados aos chefes de Estado para compor o documento final da Rio +20, e, em seguida, iniciou-se uma votação entre todos os presentes (mesa e expectadores) para definir os pontos de maior relevância.
O primeiro tópico foi aprovado por unanimidade entre os componentes da mesa e o terceiro teve 54% de aprovação. Após a votação, a mesa decidiu abrir o debate para que os expectadores pudessem lançar sugestões ou questionamentos, em uma clara manifestação do espírito de colaboração que norteia toda a Rio +20.

A questão da criação de um tribunal internacional para julgar crimes ambientais foi levantada – e amplamente endossada pelos componentes da mesa – pelo parlamentar brasileiro Cristóvão Buarque (PDT-DF), ideia que os panelistas consideraram estar inclusa nos tópicos anteriormente levantados. A demarcação total das terras indígenas no Brasil, bem como a participação das lideranças desses povos no processo de decisão da conferência também teve sua voz, sendo uma das colocações mais aplaudidas.

Além do documento gerado neste debate, outros mais serão elaborados e enviados às lideranças nacionais presentes no evento de elaboração do registro final da conferência, o que demonstra um esforço bastante assertivo de representar também a sociedade civil dentro deste processo.

link original

http://www.gazetadopovo.com.br/gaz/mix/um-fim-de-semana-na-rio-20/